Quando olhamos o nível de alguns comentários na internet, nos damos conta do porquê o país se encontra em tamanha polarização, não política, mas de caráter, humanidade e inteligência. Na noite dessa quarta-feira, 28, e madrugada de quinta-feira, 29, milhares de pessoas destilaram ódio gratuito na internet contra #Refugiados.

Através dos perfis dos agressores, notava-se que a maior parte deles migraram de um outro estado para seu ambiente atual, ou são filhos de migrantes ou ainda descendentes de estrangeiros que vieram recomeçar a vida no Brasil. Outra característica marcante foi o ativismo político. Pessoas que usavam o nome de um deputado federal popular no país arrumaram briga com dezenas de pessoas, dizendo que era para gays, feministas e esquerdistas levarem os refugiados para estuprarem seus familiares.

Publicidade
Publicidade

A tag logo ficou em primeiro lugar em interação no Twitter e em pouco tempo o espaço virou um campo de guerra: “Refugiados não prestam, pois são muçulmanos e brasileiros são cristãos que não acetam o islamismo.”, dentre outras coisas puderam ser vistas na internet.

Veja alguns tweets:

Os insultos xenofóbicos pioraram quando os agressores, homens e mulheres, alguns com biografias anunciando que são conservadores, outros jovens em busca de seguidores e ainda perfis recém criados, começaram a xingar gays e mulheres, dizendo que eles seriam os primeiros mortos quando o islã vier reinar no Brasil.

Publicidade

Refugiados, terrorismo e o islã

Muita gente associa o terrorismo e os refugiados, generalizando que toda pessoa que provém de um país declarado muçulmano, é um terrorista. O islã é uma religião complexa, em relação as demais, pois no decorrer do alcorão, falam de Maria e de Jesus, mas acreditam que Maomé veio ao mundo, depois de Cristo, para ‘colocar ordem na casa’, já que o mundo estava em grande perdição.

Existem passagens agressivas, que determinam punições severas para quem cometer alguma ‘infração espiritual’, como trair ou roubar, que podem ser interpretadas ao pé da letra, como nos países governados por um califado ou serem adaptados à realidade dos povos, como acontece na Turquia, que é um país laico, onde a maioria das pessoas se declaram muçulmanas (como o Brasil, que é laico, mas a maioria, mesmo não sendo na prática, se declara cristã), mas as pessoas não seguem as escrituras do islã e isso é perceptível nas vestimentas, música, costumes, etc.

Os refugiados podem ser de qualquer religião, como podem não ter nenhuma crença.

Publicidade

É fato que terroristas podem se infiltrar no meio dos refugiados para adentrar outros países, mas vale ressaltar que entrar em países europeus ou da América do Norte não é tão simples, por vias legais, o que os obriga a fingirem ser vítimas para ter tal facilidade na hora de planejar seus atos terroristas. Mas também é sabido que no Brasil não há dificuldades para acesso, ainda que o Itamaraty tenha tentado dificultar a permanência de africanos no país, recentemente, conforme reportagem especial feita pelo site da TV Record.

Mais de 30 mil venezuelanos estão no Brasil, além de pessoas de 80 nacionalidades e religiões diferentes. No Brasil existem muitas comunidades de muçulmanos, inclusive em São Paulo, o que não se confunde com as comunidades árabes, e nem por isso há atos terroristas no país.

O assunto é delicado e existe riscos, como em tudo o que se faz, mas a conduta de destilar ódio contra estrangeiros em condição de refugiados, foi retrógado, desumano e até contraditório.

E você, o que acha disso? Concorda ou discorda? Deixe um comentário com a sua #Opinião. #Preconceito