Um dos mais importantes nomes da literatura brasileira, Ferreira Gullar morreu na manhã deste domingo (4), no Hospital Copa D'Or, Zona Sul do Rio de Janeiro, aos 86 anos, vítima de complicações pulmonares devido a uma pneumonia.

Ferreira Gullar: obra imortal

Embora dissesse que não aceitaria, Ferreira Gullar se tornou "imortal" da #Academia Brasileira de Letras em 2014. Escritor brilhante, foi merecedor do maior prêmio da língua portuguesa no mundo, Camões, em 2010. Antes disso, em 2005, havia recebido o Prêmio Machado de Assis, da Biblioteca Nacional.

Gullar escreveu também para a televisão e para o cinema, mas foi a poesia politica e inovadora que se impôs na sua obra.

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Poeta desde adolescente, Gullar dizia ter descoberto o modernismo com Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira. Mas o discípulo foi mais longe. Seus textos sempre com forte conotação política, deram início à poesia concreta no Brasil, com o livro "A luta corporal", de 1954. Inquieto, Ferreira Gullar dizia querer que "a própria linguagem fosse inventada a cada poema". Logo depois de lançar esta obra, o escritor passou a fazer parte do "movimento neoconcreto", juntamente com artistas plásticos e outros poetas cariocas, cujo manifesto foi escrito por ele. O ensaio de sua autoria, "Teoria do não-objeto", se tornou o fundamento dos neoconcretistas, grupo do qual faziam parte Hélio Oiticica e Lygia Clarck.

Minimalista, seu último poema neoconcreto era uma instalação, colocada em um subsolo pelo qual se chegava por uma escada.

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Ao chegar, encontrava-se três cubos, um dentro do outro, o primeiro vermelho, o segundo verde e, por último o cubo branco, dentro do qual havia a palavra "rejuveneça".

Depois desta fase, Ferreira Gullar se filiou ao Partido Comunista e militou contra a ditadura militar. Foi preso, viveu na clandestinidade e, exilado, morou em Moscou, Santiago do Chile, Lima e, por fim, Buenos Aires.

Sua obra de maior destaque é o livro de poesias intitulado "Poema Sujo", que se tornou um símbolo de resistência à ditadura militar brasileira, escrito justamente durante o exílio em Buenos Aires. Curiosamente, estas poesias chegaram ao Brasil gravadas em uma fita cassete, pelas mãos de Vinícius de Moraes.

Ferreira Gullar brincava que havia se tornado bacharel em subversão quando morou em Moscou. Mais tarde, porém, dizia-se desiludido com o socialismo: "o socialismo não faz mais sentido, pois fracassou", lamentava o poeta. #Literatura #Morte