O senador Renan Calheiros não é uma santidade imaculada na política nacional, muito pelo contrário, todos sabem, a sua biografia registra uma série de casos em que a ética parlamentar foi transgredida pelas suas atitudes como representante popular.

Um desses casos foi a descoberta em 2007 de que uma empreiteira, a Mendes Júnior pagava as contas do filho que o senador teve de um relacionamento extraconjugal com a jornalista Mônica Veloso. Em troca, ele destinava emendas parlamentares (cota de verba de cada parlamentar) para a empresa citada.

A procuradoria geral da república ofereceu denúncia contra ele em 2008, no Supremo Tribunal Federal, mas o processo só foi aceito parcialmente pelos ministros na semana passada na esteira da discussão do projeto que visa coibir e punir os excessos cometidos por juízes e membros do Ministério Público Estadual e Federal.

Publicidade
Publicidade

Nos últimos tempos, o poder judiciário praticamente assumiu um papel de destaque no cenário nacional relegando ao Congresso a posição de mero coadjuvante perante a população, que cada vez mais endeusa juízes e demoniza parlamentares.

O surgimento de Moro e dos ferozes procuradores só foi possível porque os governos petistas deram condições financeiras e estruturais para o trabalho do judiciário, polícia federal e MP Federal, foi sem dúvida o período em que mais se investigou e puniram-se desvios de conduta de autoridades, mas tudo isso também ajudou a criar um monstro que está se colocando acima da Constituição e retalia aqueles que tentam lhe impor um freio em suas investidas.

Na última segunda-feira, (05/12) o ministro Marco Aurélio Melo do Supremo decidiu afastar Renan do cargo de presidente do Senado Federal, alegou que um réu não pode estar na linha sucessória da presidência, mas essa decisão foi tão sem fundamento que foi derrubada rapidamente pelo plenário do Supremo.

A resistência de Renan em não deixar o comando da casa quando a decisão de Melo estava em vigor, e de não baixar a guarda em relação ao projeto de abuso de autoridade não pode ser considerada como um afronta à justiça, mas sim, uma tentativa de mostrar aos juízes que eles não estão acima da Constituição.

Publicidade

#Renan Calheiros