A Polícia Civil revelou nesta segunda-feira, 26, como se desenrolou a confusão no metrô de São Paulo que terminou com um homem de 54 anos morto, na estação Pedro II. Os dois assassinos, já identificados, se desentenderam inicialmente com uma travesti que estava na rua de estação. A travesti tentou impedir que os dois rapazes urinassem na rua, ato que, de acordo com juristas, é enquadrado como "ato obsceno em lugar público", previsto no artigo 233 do Código Penal Brasileiro. Irritados com a reclamação da travesti, os dois homens partiram para cima da transexual. Outra travesti que estava próxima tentou defender a primeira, mas também foi atacada pelos rapazes.

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Um vendedor ambulante, Luis Carlos Ruas, tentou salvá-las, mas se tornou o alvo dos bandidos. Ao se dar conta da fúria dos dois homens, Luis correu até a estação de metrô, mas foi perseguido e derrubado já na entrada da estação. No chão, tomou socos e chutes dos assassinos, que não pararam mesmo quando ele ficou inconsciente.

Suspeita de #Homofobia

Apesar da Polícia Civil afirmar que a confusão começou após os rapazes urinarem na rua, uma das travestis agredidas diz que não houve discussão. "Ele já veio me batendo", afirma. Uma outra travesti, identificada como Raíssa, falou ao G1 que os dois homens a perseguiram enquanto gritavam "vamos matar".

Agressores identificados

Os suspeitos foram identificados como Alípio Rogério Belo dos Santos e Ricardo Nascimento Martins.

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Eles são primos e, de acordo com a polícia, estavam embriagados no momento da confusão. Os dois ainda estão soltos, mas devem se entregar nesta terça-feira, 27. O delegado Oswaldo Nico Gonçalves, responsável pelas investigações, afirmou ao G1 que os rapazes se envolveram em outra confusão, horas antes da briga no metrô. Após discutir com sua esposa, um dos rapazes desferiu socos na porta de uma vizinha. A polícia suspeita de que os dois homens façam parte de um grupo de intolerância.

A vítima fatal

Luis pagou caro ao tentar proteger as travestis. "O senhor Ruas foi massacrado covardemente até a morte", afirma o delegado. De acordo com a esposa de Luis, Maria Aparecida Cavalcante, o rosto do ambulante foi deformado pelos socos desferidos pelos assassinos. O sepultamento da vítima será realizado na tarde desta terça, em Diadema (SP).

#LGBT