Um tornado na cidade de Nova Iguaçu, estado do Rio de Janeiro, filmado pelo morador local José Moreira, na tarde de quinta-feira (22), destelhou várias residências e assustou moradores da área afetada. Contudo, felizmente não há relatos de feridos.

O Grupo Tornados no Brasil (Facebook), fundado em 2010 por dois graduandos em Meteorologia, na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), e por outros pesquisadores que auxiliam no trabalho de campo, responsável por estudar e divulgar imagens do fenômeno no Brasil, concedeu entrevista exclusiva ao Blasting News.

Na ocasião, o membro Vagner Cazarotto Onuczak, respondeu por e-mail, que apesar dos danos nas estruturas materiais, o tornado de ontem é considerado de fraca intensidade (F0).

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Segundo ele, se o fenômeno fosse mais forte, além de residências destelhadas, pessoas poderiam ter morrido em decorrência à aglomeração humana na área do evento.

“Um tornado de forte intensidade em uma área com quantidade significativa de pessoas, poderia resultar em uma tragédia com várias mortes. E mesmo sendo de baixa intensidade é muito perigoso para a população; assim como jogou vários telhados para os ares, poderia ter lançado objetos contra as pessoas da região”, explica Onuczak.

Conforme o pesquisador, esse foi o primeiro tornado a atingir Nova Iguaçu neste ano. Entretanto, Vagner destaca que o grupo tem recebido diversas informações com relação a esse tipo de episódio em 2016.

“No Brasil, recebemos algumas dezenas de relatos anualmente, porém, só podemos confirmar com o estudo científico, o que estamos fazendo, devagar e sempre”, enfatiza.

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Nas imagens captadas por José Moreira, além do barulho do vento, é possível notar diversos materiais sendo arremessados. “Olha só meu pai, o que é isso? Olha, Jesus”, comenta Moreira (veja o vídeo abaixo).

Ainda que na década de 90 poucas situações envolvendo tornados eram noticiadas, Vagner Cazarotto Onuczak, salienta que eles sempre existiram. Porém, como o acesso a filmadoras e a máquinas fotográficas era limitado, não havia registros frequentes.

“Existem estudos que indicam que os tornados sempre ocorreram e o que se tem aumentado é a quantidade de pessoas com celulares, câmeras ou qualquer meio de registrar imagens do fenômeno. A evolução tecnológica permite um maior registro em imagens de tornados, pois abrange uma quantidade muito maior de pessoas com aparelhos para registrar, do que nos anos 90”, avalia.

Onuczak acentua que a intensidade dos ventos varia de F0 a F5 (de 65km/h a 530km/h), e que o nome da escala que classifica os tornados, se chama escala Fujita.

“Em homenagem ao dr.Ted Fujita, que foi um cientista de tornados, na universidade de Chicago. O tornado que ocorreu no RJ pode ser classificado como F0”, conclui. #Mídia #Curiosidades #Internet