Não é de hoje que existe uma discussão nas igrejas cristãs sobre que tipo de ritmos e instrumentos musicais que podem ser permitidos nos templos, especialmente nos cultos religiosos. Muitos católicos tradicionalistas, por exemplo, veem a entrada dos violões nas igrejas como uma lamentável quebra da tradição litúrgica e até um desrespeito ao sacramento da eucaristia.

No terreno protestante, sem uma autoridade humana suprema, a luta é ainda mais renhida entre as forças da conservação e da mudança. O rock cristão até hoje atrai críticas tanto pelo som, tido por muitos como incompatível com a solenidade e a contemplação da adoração no templo e da busca de contato e conformidade com Deus fora dele, quanto pela associação - injusta ou não - do ritmo com ocutismo e satanismo.

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Mesmo a música #Gospel tradicional, que tem feito cada vez mais sucesso, desperta olhares tortos em muito.

Agora, com a disseminação do #Funk gospel, em que o famoso ritmo e suas coreografias rebolativas e ousadas, para dizer o mínimo, são, supostamente, colocadas a serviço de atrair as pessoas, especialmente jovens, para os serviços religiosos e Deus, a discussão esquentou. Muitos veem isso como uma apelação injustificável, estimulada ou tolerada por pastores desejosos de atrair atenção, fiéis e realizar o "milagre" da multiplicação do dízimo. O polêmico pastor Silas Malafaia já afirmou que, depois de carnaval gospel, funk gospel, etc, só falta mesmo alguém inventar o inferno gospel, deixando claro que, em sua opinião, apenas acrescentar a palavra "gospel" depois de um termo geralmente associado pelos evangélicos a condutas pecaminosas não é o bastante para redimi-lo, muito menos para associá-lo com ou colocá-lo a serviço das denominações evangélicas e da disseminação da Palavra de Deus.

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Outros, por sua vez, acham que todos ritmos podem ser postos a serviço da disseminação da palavra de Deus e usados para adorá-lo. O funk teria, sobre outras vertentes musicais, a vantagem de ser popular e disseminado entre a juventude e ser considerado autêntico, especialmente em certas comunidades mais pobres - muitas delas marcadas pela violência, pela opressão de traficantes ou milícias, pela dissolução da família, pela falta geral de perspectivas e pela inversão de valores que pode levar à idolatria do "sucesso", com direito a ostentação e mulheres dos chefes do crime. Por que não lançar mão do ritmo, pensam, para atrair "ovelhas" perdidas para o rebanho e ganhar uma chance de falar da Palavra? Não é verdade que Deus se regozija com cada ovelha que é salva? Paulo não disse que "fiz-me tudo para todos, para, por todos os meios, chegar a salvar alguns", no nono capítulo de sua primeira epístola aos Coríntios?

E você? Acha que todos ritmos podem ser usados na adoração? Acha que os críticos são movidos pela inveja e pela incompreensão ou que os defensores do uso de certos estilos musicais estão exagerando e trocando seu direito de primogenitura espiritual pelo guisado de lentilhas da popularidade fácil?

#Vídeo: