O #Crime organizado no Rio de Janeiro estabelece sua própria lei e quem não cumprir acaba tendo que pagar caro. No caso das mulheres, elas estão proibidas de namorar pessoas que morem em comunidades rivais, não podem de forma alguma fazer denúncias e muito menos dever aos traficantes. Também é proibido que elas briguem durante os bailes, e aquelas que desobedecem as "leis" são punidas. A pena imposta a elas varia de acordo com a gravidade da situação, sendo que uma prática cada vez mais comum é raspar a cabeça e também as sobrancelhas, humilhando essas mulheres e mostrando a elas que não devem desobedecer, do contrário, algo ainda pior poderá acontecer.

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O UOL chegou a ter acesso a pelo menos dois vídeos gravados recentemente onde aparecem algumas mulheres tendo as cabeças raspadas e também as sobrancelhas. A prática já é muito comum nas favelas do Rio de Janeiro e até em alguns locais da Bahia. Enquanto o cabelo é raspado, elas vão sendo questionadas sobre sua desobediência às leis do crime organizado e ainda recebem algumas chineladas dos traficantes.

No início de novembro, policiais militares da UPP Tabajaras deram batida em uma residência e lá encontraram 3 mulheres e alguns traficantes. Os policiais levaram todos para a delegacia e as mulheres tiveram que prestar depoimentos, só que ao retornarem à favela foram acusadas de traição e torturadas. Essas mulheres nunca mais voltaram à delegacia para prestar novo depoimento e muito menos para identificar os agressores, pois a tortura é um aviso de que se elas não obedecerem as leis do crime organizado, pagarão com a vida.

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O delegado Assis Filho, da Delegacia da Criança e Adolescente, contou que os traficantes humilham e mutilam as mulheres, podendo também matá-las. Até as meninas que brigam nos bailes têm a cabeça raspada, mas as mães orientam as filhas a não procurarem a polícia, pois sabem que se elas fizerem isso poderão ser assassinadas pelos traficantes.

A polícia segue com as investigações, mas como as vítimas preferem ficar em silêncio, acaba sendo muito difícil chegar nos culpados. #Violência #Casos de polícia