Os recentes casos de febre amarela silvestre, que ocorreram em áreas rurais e de mata, em Minas Gerais, podem ser um surto cíclico, como o que ocorreu em 2009. Mas não está descartada a possibilidade do retorno nas áreas urbanas, conforme pesquisadores.

#Minas Gerais contabiliza, desde o início do ano, 23 casos suspeitos no interior. Destes, 14 pacientes morreram. Outros 16 estão sendo considerados prováveis pela Saúde do Estado, ainda estão por serem investigados. O interior de São Paulo contabiliza um caso confirmado em dezembro do ano passado.

Os casos silvestres são transmitidos pelos mosquitos de espécies diferentes, como o Haemagogus e o Sabethes, para macacos.

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Em áreas urbanas, não há registro desde 1942 e sua transmissão é pelo mosquito Aedes aegypti.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) foi notificada dos casos pelo Ministério da Saúde, seguindo o Regulamento Sanitário Internacional. Também foram enviadas para Minas Gerais duas equipes e, aproximadamente, 285 mil doses de vacina para #Febre Amarela. A #vacinação ocorrerá onde houver casos confirmados e, em seguida, nos municípios vizinhos.

Os macacos são indicadores

Os monitoramentos são intensificados entre os meses de dezembro e maio, pois este é o período de maior possibilidade de ocorrência de febre amarela. As autoridades de saúde já haviam percebido que, a cada sete anos, os surtos ocorrem fora das áreas de floresta, conforme informação da bióloga Márcia Chame, coordenadora da Plataforma Institucional de Biodiversidade e Saúde Silvestre na Fiocruz Rio.

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A bióloga informou que a morte de macacos, principal hospedeiro do vírus, perto de pessoas é o indicativo que o surto pode estar se aproximando dos humanos. Quanto mais próximo das áreas onde moram pessoas, mais fácil é para o mosquito passar o vírus.

Durante o surto em 2009, no Rio Grande do Sul, as pessoas acreditavam que a doença era transmitida pelos macacos. Eles são apenas transmissores, e importante fonte para controle da doença, suas mortes devem ser informadas as autoridades. A preocupação maior é que, com a diminuição das áreas florestais, os animais infectados passem a frequentar áreas urbanas. Lá, os animais podem ser picados pelo Aedes aegypti, abundante nas cidades brasileiras.

A vacinação é o melhor controle

O Ministério da Saúde recomenda que moradores das áreas silvestres e de mata, ou pessoas em viagem, como ecoturistas, verifiquem se estão vacinados contra a febre amarela. O maior receio é que ao contrair o vírus, e indo para áreas urbanas, as pessoas levem o vírus para cidades maiores.

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Com a infestação de Aedes aegypti, a transmissão abriria um novo ciclo.

A vacina pode ser aplicada nas pessoas a partir de nove meses de idade, e a partir de seis meses em situação de surto. Normalmente, a vacina começa a fazer efeito após dez dias. Conforme informação do Ministério da Saúde, todos os estados possuem vacinas disponíveis para as pessoas em áreas de risco.

Se você mora, ou esteve, em uma das áreas de risco, tenha atenção aos sintomas: na fase inicial, entre três e cinco dias, a febre amarela causa febre, calafrios, dores de cabeça e no corpo, perda de apetite, cansaço, náuseas e vômitos.