O juiz Luís Carlos Valois, responsável pela Vara de Execuções Penais, do Tribunal de Justiça do Amazonas, concedeu uma entrevista ao Metro Jornal. Foi Valois, o responsável por intermediar a redenção dos presos do Complexo Penitenciário Anísio Jobim, em Manaus. O juiz comentou sobre detalhes do massacre que presenciou no presídio e sobre os graves problemas do sistema penitenciário no Brasil.

A partir desta segunda (09), o juiz retornou aos seus trabalhos e irá analisar todos os presos que mataram e os que morreram, identificando o perfil deles.

De acordo com o magistrado, o juiz da Vara Penal tem que olhar para o preso como um ser humano.

Publicidade
Publicidade

Mas após esse #massacre, o juiz está se mostrando incapaz de olhar os detentos dessa forma. "Ao invés de humanos, eu vi monstros", declara o magistrado. "Minha fé no ser humano está debilitada, preciso me recuperar".

Comparação ao STF

Conforme mais se agrava a superlotação carcerária, mais difícil os problemas vão se tornando. Em celas pequenas, com muitos presos, a chance de ocorrer intrigas é enorme e os agentes não têm como fazer nada, disse o magistrado. Segundo as declarações de Valois, a superlotação cria inimizades e isso pode ocasionar em mortes. "É a mesma coisa do Supremo Tribunal Federal (#STF), mesmo eles sendo educadíssimos, letrados, sempre tem brigas um com o outro. Imagina numa situação de um monte de gente ignorante, sem estudo, que não sabe se comportar em certos lugares", ressalta Valois.

Publicidade

Mudanças

Luís Carlos Valois também concorda com o ministro da Justiça, Alexandre de Morais, que não se deve separar os presos por facções e sim por grau de periculosidade.

"É preciso realizar mudanças no sistema carcerário", afirma o juiz. De acordo com ele, um dos presos que foi decapitado era um transportador de drogas, ou seja, um condenado primário. "O tráfico domina os presídios e é necessário regulamentar e recolher impostos, para tirar o poder financeiro do tráfico".

Valois também criticou a terceirização dos serviços nos presídios. "Existe muita corrupção nos contratos". #Presídio