Alguém poderia dizer que o Brasil “sangra”, mas o líquido que sai de suas veias figuradas não é bem sangue e sim jorros contínuos de corrupção por parte de grande parte dos políticos que estão no poder e dos empresários gananciosos que não medem esforços para tirar vantagem em tudo, mesmo que seja sobre a vida de pessoas inocentes.

Não param de explodir escândalos de lavagem dinheiro, contas em paraísos fiscais e falcatruas diversas no cenário nacional. O caso mais recente é o do empresário #Eike Batista, que se tornou alvo de um decreto de prisão expedido pela Justiça Federal do Rio de Janeiro. Passados alguns dias em que a determinação foi liberada, uma das condições para que Eike possa se render à PF - Polícia Federal, é a de que ele não tenha de ficar detido em uma prisão denominada de “comum” ou que abriga presos que tenham cometido qualquer tipo de delito, o que poderia fazer com que ele corresse risco de morte.

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Em 2012, Batista foi reconhecido como a pessoa mais rica da nação, tendo uma fortuna avaliada na casa dos US$ 30 bilhões, mas um detalhe em toda essa história, o que por si só não desmerece ninguém, é o de que o empresário não tem formação universitária alguma e, justamente por isso, não tem o direito legal de permanecer encarcerado em uma cela com mais segurança, diferente, por exemplo, do ex-governador do Rio, Sergio Cabral (PMDB), que apesar de estar mergulhado até o pescoço em uma infinidade de crimes, por ter formação universitária completa, está no presídio mais “protegido” de Bangu.

Coincidentemente, logo que foi expedida a ordem para que Eike Batista fosse preso, no dia 24 de janeiro, o homem tratou de pegar um voo com o seu passaporte alemão (Eike tem nacionalidades brasileira e alemã) em direção aos EUA e até o momento não se sabe do seu paradeiro exato naquele país.

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Obviamente, os seus advogados fizeram questão de frisar que o seu cliente sequer estava sabendo de sua procura pela justiça do país, na pessoa de Marcelos Bretas, juiz federal.

A prisão do empresário foi decretada na medida em que dois doleiros concordaram com acordos de delação premiada junto aos procuradores que representam a famosa Operação #Lava Jato, ou seja, Eike acabou se tornando o ponto focal da “Operação Eficiência” da PF, em 26 de janeiro. Os irmãos e doleiros, Marcelo e Renato Hasson Chebar, revelaram que Batista teria repassado a Cabral a bagatela de US$ 16,5 milhões como propina.

A transação financeira foi feita com sucesso em 2011, ocasião em que Eike e o então vice-presidente do Clube de Regatas do Flamengo, e também executivo principal das empresas de Batista, repassaram a soma a Cabral através de depósito feito em um banco panamenho.

A maquiagem da fraude se deu com a original invenção de Eike da existência de um contrato fictício sobre a aquisição uma mina de ouro, onde posteriormente os milhões de dólares foram transferidos para uma conta no Uruguai, que mesmo não sendo caracterizado como pertencendo a Cabral, o valor de fato era do ex-governador, de acordo com as explicações dos procuradores da Lava Jato.

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Como os juízes, de um modo geral, costumam ser muito rígidos com pessoas investigadas e fugitivas, fazendo com que o STJ - Superior Tribunal de Justiça e o Supremo se inclinem a indeferir as solicitações de liberdade desses suspeitos, os advogados de Eike querem contornar, de qualquer forma, a imagem de que o cliente em questão seja um fugitivo, apesar de tanto a Polícia Federal quanto a Interpol terem o nome de Eike constando na sua lista de foragidos desde o dia 26 de janeiro. #PMDB