Mais um caso de complicações em lipoaspirações eleva as estatísticas brasileiras de mortalidade em cirurgias plásticas, colaborando para elevar o nível de insegurança especificamente deste procedimento cirúrgico.

O caso da empresária Michelle de Souza Pires, de 30 anos, é um exemplo. Ela morreu depois de ser submetida à lipoaspiração e à abdominoplastia. A família se queixa de negligência médica, pois após a jovem receber alta teve complicações e muitas dores sem a devida assistência. Os familiares não conseguiram falar com o cirurgião responsável.

Em depoimento à polícia de Goiânia, onde ocorreu a operação, a mãe da paciente, Cleide de Souza disse, nesta terça-feira (3), que a filha ficou muito dolorida, sem poder se mexer na cama e que vomitou mais de 20 vezes.

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“Nós ligamos várias vezes para o médico e ele não atendeu aos chamados”, relatou.

Ela entregou ao delegado do 13º DP os áudios com as queixas da filha, relatadas pelo aplicativo para celular WhatsApp.

Em uma das mensagens, a empresária reclama de dores nos braços e nos pés. A mãe também repassou para os investigadores um vídeo que mostra o estado da filha. Pelas imagens é possível ver que a jovem não consegue falar de tanta dor. Apenas geme e chora.

O caso só veio à tona agora, mas a morte ocorreu no dia 27 de novembro, menos de 36 horas após os procedimentos plásticos. A vítima residia na cidade de Morrinhos, no sul de Goiás, e havia ido para Goiânia para fazer a cirurgia no Hospital Buriti, localizado no Parque Amazônia.

Cleide crê que se o médico tivesse dado suporte no pós-operatório, sua filha talvez ainda pudesse estar viva.

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O profissional, identificado como

Pablo Rassi, prestou depoimento e disse que não houve nenhuma anormalidade durante a cirurgia.

Entretanto, as autoridades policiais informaram que na certidão de óbito consta que Michele teve um tromboembolismo pulmonar após a operação. O problema é causado por um coágulo que se forma nas veias e entope a artéria do pulmão.

O titular do 13º DP, destacado para as investigações, disse que novos elementos foram acrescentados. Manoel Borges ficou sabendo, por exemplo, que as condições clínicas da paciente envolvia um quadro anêmico. Esse fator não teria sido levado em consideração pelo cirurgião. Outra informação que interfere nas investigações é o enxerto de gordura nas nádegas, dado que não constava dos autos.

Depoimentos de outras pessoas serão colhidos, como o médico que prestou socorro à Michele e, ainda, a cunhada da vítima, enfermeira que esteve com ela durante o período de recuperação.

#Investigação Criminal