Com municípios e estados quebrados financeiramente, não é de assustar cenas como essa. O caso ocorreu em Canoas (a 15km de Porto Alegre).

Régis Quadros, que é biamputado, ou seja, não possui as duas pernas e usa prótese para se locomover, não esperava ser multado em uma #vaga de #deficiente. Mas foi. Deixou seu carro estacionado na vaga e, ao voltar, 30 minutos depois, foi autuado pessoalmente pelo agente de trânsito da cidade.

Quadros havia sofrido um acidente de carro recentemente e a permissão, que estava no veículo do acidente, se perdeu. A nova permissão ainda não havia sido solicitada.

Ele estava de bermuda e com as duas próteses à mostra.

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Mesmo assim, o agente não lhe deu atenção e, sim, uma multa de R$293 e 7 pontos na carteira. Inconformado, Régis publicou nas redes sociais fotos do momento da autuação e ganhou destaque no noticiário.

Ele conta que tem o costume de deixar o carro no local em que foi multado, há 2 meses e toda a semana, pois fica próximo de seu banco e consultório dentário.

Régis tem o bom senso de reconhecer que a falta da identificação poderia levar à notificação. Entretanto, o agente o autuou pessoalmente, o que gera revolta. Ele afirma que a postura do agente foi intransigente. Imaginou que, no caso do agente identificá-lo como "deficiente", iria retirar a autuação. Mas, ele conta que o agente não quis ouvi-lo, só queria multar.

Toda a cena foi fotografada pelo cunhado de Régis. Fica nítida a utilização de próteses nas fotos.

A secretaria responsável pela autuação não admite abuso ou falta de bom senso do agente, uma vez que a "regra é clara".

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"É necessária a identificação do veículo de deficiente para que não haja a autuação, quando parado em vaga exclusiva para tal", pronunciou-se via assessoria de imprensa.

O órgão ainda alega que a #multa não foi retirada, pois já tinha sido emitida, e não poderia ter sido cancelada, por tratar-se de procedimento eletrônico.

O secretário municipal de Transporte e Mobilidade, Ademir Zanetti, tentou minimizar afirmando que os agentes são instruídos primeiro a orientar e depois a autuar. Será?

Quadros disse que vai pedir a reparação, pois se sente desmoralizado. "Não basta o que passei com o acidente", conta irritado.

Ele é técnico em telecomunicações e sofreu um acidente em 2011 quando fazia manutenção em uma rede, sobre um poste. Recebeu uma descarga elétrica, fato levou a amputação dos dois membros, abaixo do joelho. Agora com próteses, voltou a caminhar, como conta, depois de 10 meses andando em cadeira de rodas.