Luís Carlos Valois, juiz titular da Vara de Execução Penal do Tribunal de Justiça (TJ) do Estado do Amazonas, se assustou com a tamanha crueldade das mortes no Complexo Penitenciário Anísio Jobin. "Nunca vi nada igual na minha vida", disse o juiz. De acordo com o juiz as cenas eram chocantes. "Haviam corpos mutilados, muito sangue, não tinha como não impressionar".

O juiz disse que através de fotos recebidas pelo WhatsApp ele já imaginava o grande terror que estava acontecendo no Complexo. Valois foi chamado para negociar com os presos. Ele comentou que a principal preocupação dos detentos era a manutenção da integridade física deles.

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Conforme relatos do juiz, as conversas foram se desenrolando pela madrugada e apenas de manhã eles se entregaram.

Horror

A parte que surpreendeu o juiz foi quando houve a liberação para a entrada no Complexo, após a redenção dos presos. Os corpos estavam amontoados no chão. Havia uma caçamba, dessas que se parecem com as de entulho. Essa caçamba estava repleta de braços, pernas, corpos sem cabeça e queimados.

Uma das preocupações de Valois, é que haja um revide da facção que foi prejudicada e um grande combate pode voltar a acontecer. Segundo ele, as facções ganharam força no Brasil devido o Estado legitimar elas. "Sempre existiu o líder da gangue ou do pavilhão", disse ele.

Valois percebeu algo terrível também nessa rebelião. De acordo com o juiz, os detentos que mais morreram são aqueles menos perigosos.

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Infelizmente o Estado não consegue manter a segurança dos presos.

Cena triste

O juiz ressaltou que não há como saber quantos presos foram mortos por enquanto, devido os corpos estarem todos esquartejados. A rebelião durou 17 horas e causou pânico nos familiares dos presos que estavam preocupados pedindo informações dos seus parentes.

A presença do juiz no Complexo foi pedido pela Secretaria de Segurança Pública do Estado. Os presos do regime fechado conseguiram passar para o lado dos presos em regime semiaberto através de buracos feitos por eles. #Prisão #horror #Morte