Com os milhões de conectados e conectadas nas redes sociais, o mundo virtual passou a registrar de tudo. Até mesmo casos de mortes assistidas ao vivo por milhares de pessoas, em transmissões de vídeo.

Para a americana Keiana Herndon, que fazia do Facebook Live uma verdadeira vitrine de sua vida particular, a rede social acabou testemunhando seu “reality show” mais trágico: o momento em que ela passou mal e depois morreu diante da câmera.

Sua última transmissão foi no último dia 28 de dezembro. Keiana aproveitou o recesso entre o Natal e o Ano novo para visitar um amigo. Quando estava sozinha na casa dele, ela ligou o dispositivo do celular e passou a transmitir imagens.

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Mas naquele mesmo momento passou mal e veio a óbito, com o testemunho digital de milhares de pessoas, que nada fizeram para tentar ajudar a jovem.

Inconsolável, o pai dela deu uma entrevista ao jornal ‘New York Daily’ e disse que não conseguia acreditar que as pessoas pudessem ficar sentadas assistindo alguém convalescer até morrer sem ao menos tentar fazer algo.

Richard Herndon contou que preferiu não assistir ao vídeo derradeiro de sua filha, já que a atitude não a traria de volta.

Kaiana fazia transmissões ao vivo quase que diariamente. Bastava ter um motivo simples de alegria para que ela decidisse compartilhar. Por meio desta ferramenta ela mostrava o filho, sua rotina e seus hobbies. Muitas pessoas estavam acostumadas a vê-la sempre na rede social. Por isso Herndon não entende como essas mesmas pessoas não fizeram nada ao vê-la numa situação anormal.

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As imagens já foram retiradas do Facebook, mas os familiares dizem que instantes antes de passar mal Keiana cantava acompanhada por uma música de fundo. Durante a transmissão, ela inclusive respondia a comentários de conhecidos. Ao mesmo tempo, o filho pequeno brincava.

As imagens mostram que a americana começou a transpirar. Ela passou a secar o suor que lhe escorria da testa e sua feição mudou bastante. Vinte internautas estariam conectados assistindo às cenas naquele momento, disse um tio da vítima, ao jornal ‘Washington Post’.

Aos sete minutos de transmissão ela desfaleceu e ficou inconsciente. O aparelho celular caiu, ainda gravando. Isso fez com que o vídeo passasse a ser espalhado. No momento em que o bebê pega o telefone é possível ver que ela está deitada no chão muito ofegante. As cenas continuaram até o momento da morte. Depois a tela fica preta, mas a transmissão continua com o choro da criança sendo ouvido nitidamente.

As cenas foram compartilhadas milhares de vezes mesmo após a transmissão cessar, o que gerou ainda mais indignação da família.

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Trinta minutos após a transmissão ter sido iniciada, o amigo de Kaiana chegou na casa e, ao se deparar com Keiana sem pulso no chão, ao lado do filho, chamou uma ambulância.

A polícia esclareceu que durante todo o período de transmissão ao vivo não houve nenhum chamado de socorro na região onde Keiana morava, o que corrobora a tese de que nenhum amigo da jovem se dispôs a fazer algo.

Ela morava na cidade de Camden, no Estado do Arkansas. A imprensa divulgou que a vítima vivia há anos com um problema na tireoide, que depois evoluiu para um câncer, recém descoberto. Ela estava programando uma cirurgia para as primeiras semanas de 2017.

#Tragédia