O assassinato de Itaberlly Lozano ganha contornos de brutalidade cada vez maiores à medida que as investigações avançam. Morto no dia 29 de dezembro, o rapaz teve seu corpo carbonizado e deixado em um canavial próximo a Cravinhos, no interior de São Paulo.

A mãe, Tatiana Lozano, confessou o crime, mas, poucos dias depois, deu uma nova versão à polícia, declarando que os responsáveis pelo assassinato foram três rapazes a quem ela pediu para darem "uma lição" no filho. O motivo para tanto, segundo ela, teria sido o comportamento de Itaberlly, que usava drogas e levava homens para dentro de sua casa - comportamento negado pelo tio do jovem, que o descreveu como um rapaz trabalhador e tranquilo.

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Ainda segundo a apuração da página "Os Entendidos", no passado, Itaberlly chegou a denunciar a mãe no Conselho Tutelar. Poucos dias antes do crime, Itaberlly publicou um desabafo em sua página do Facebook, em que acusava a mãe de ter dado ordens a outros meninos para que batessem nele, no dia 26 de dezembro. Por esse motivo, o jovem teria ido morar com a avó e o tio por parte de pai, mas decidiu voltar a sua casa após conversar com a mãe.

Na sexta-feira, 13 de janeiro, foram presos dois suspeitos de envolvimento na morte de Itaberlly: Victor Roberto da Silva, de 19 anos, e Miller da Silva Barissa, de 18 anos. A polícia identificou ainda uma adolescente de 17 anos, mas seu pedido de internação ainda não foi emitido pela Justiça.

Os rapazes confessaram ter sido contratados por Tatiana para agredir Itaberlly, mas alegaram que foi a própria mãe quem o matou a facadas.

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De acordo com as investigações, a ligação da mãe para convencer o garoto a voltar para casa fazia parte da emboscada. Em novo depoimento, Tatiana alegou que, ao perceber que o filho estava morrendo, achou melhor acabar logo com a vida do jovem e ocultar o corpo.

O promotor de justiça responsável pelo caso, Wanderlei Trindade, disse estar convencido de que a #Homofobia foi uma das motivações do crime, aliada à crueldade. No dia seguinte ao assassinato, Tatiana ainda postou um versículo bíblico em sua página do Facebook, na qual compartilhava mensagens religiosas e vídeos de cantores gospel. Durante o tempo em que o filho estava supostamente desaparecido, ela e o marido ainda convidaram diversos amigos e familiares para dois churrascos em casa.

Aparentemente, Tatiana Lozano Pereira, que trabalhava como gerente de supermercado, era só mais uma "cidadã de bem", defensora dos valores cristãos. Contudo, sua discriminação e intolerância fizeram com que ela fosse capaz de tirar a vida do próprio filho.

Infelizmente, ainda é comum que pessoas #LGBT sofram com a rejeição da própria família, a qual deveria lhes oferecer amparo e compreensão. O que testemunhamos com frequência, no entanto, é que a luta contra a sociedade preconceituosa tem continuidade dentro da família, contribuindo para que jovens LGBT internalizem a rejeição e o ódio contra si mesmos. #Violência