O consagrado escritor e poeta italiano do clássico “A Divina Comédia”, Dante Alighieri, em certa parte de sua obra literária escreveu que “no inferno os lugares mais quentes são reservados àqueles que escolheram a neutralidade em tempo de crise”. Apesar dos séculos desde a morte de Dante em 1321, a frase parece que foi escrita para o contexto atual que está atravessando a inteira sociedade brasileira. Diante de inúmeras crises conspiratórias que ameaçam os políticos de todas as tendências e envergaduras, perante a economia que está em frangalhos e o cidadão de bem, que é obrigado a assistir a fuga dos padrões de normalidade, ética e reciprocidade fraternal entre os seus semelhantes, como, por exemplo, nos casos explícitos de violência do sistema carcerário do Brasil.

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E por falar nas cenas hediondas dentro das prisões, os eventos relacionados a esta “guerra civil” específica também atingem locais nas adjacências dos conflitos. Foi o que ocorreu na última terça-feira, 17 de janeiro, quando jornalistas, e a imprensa em geral, estavam de plantão cobrindo a #Rebelião dos encarcerados no #Presídio Antônio Dutra Ladeira, localizado na área metropolitana da capital mineira, em Ribeirão das Neves. Naquele momento, a repórter da TV Globo Minas Larissa Carvalho, levou um grande susto, pois foi explicitamente agredida quando passava da meia-noite e transmitia um boletim informativo com link ao vivo para o programa da #Rede Globo, na GloboNews.

Obviamente, a emissora em questão está longe de ser uma unanimidade nacional no que diz respeito à ingerência nos temas do país por décadas, conforme a opinião de muitos críticos da história nacional.

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Entretanto, este não é o foco do artigo que se atém ao acontecido com Larissa, que no momento da agressão covarde, abordava a situação do motim e também sobre a realidade da superlotação do Presídio Antônio Dutra Ladeira. Neste momento foram ouvidos gritos entre os familiares dos detentos, que se localizavam perto da jornalista. Na sequência, uma das mulheres presentes se aproxima rapidamente da repórter e a empurra com violência, caindo esta última com força ao solo. A mulher era a mãe de um dos presos e foi contida por um policial militar.

Larissa, que ficou ferida no braço, não desistiu de terminar seu trabalho e, sob proteção policial, encerrou o informativo aos telespectadores. Quanto à agressora, ela foi detida pelas autoridades, fez seu depoimento, para ser solta em seguida. De qualquer modo, um boletim de ocorrência foi feito no Departamento Policial situado em Ribeirão das Neves.

A Abert - Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão fez o que deveria, emitindo uma nota de repúdio, na qual diz que “atos de intolerância como este demonstram a total falta de conhecimento do verdadeiro papel da imprensa”. Fato é que ultimamente o cenário no Brasil só fez se degradar em todos os sentidos, deixando sem resposta o questionamento de onde tudo isso vai parar.