A impressa brasileira tem noticiado que o massacre ocorrido no presídio em Manaus (com saldo de 60 mortos) no primeiro dia do ano foi o desfecho de uma grande rebelião organizada pelos detentos. Mas para o juiz da Vara de Execuções Penais do Tribunal de Justiça do #Amazonas, Luís Carlos Valois, o que ocorreu foi uma "verdadeira carnificina" motivada por disputas entre facções.

Investigadores também chegaram à mesma conclusão e afirmaram que as mortes são resultado de um "limpa" promovido pelo FDN, também conhecida como Família do Norte, considerada a terceira maior facção criminosa do Brasil, atrás apenas do Comando Vermelho e do PCC.

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As informações são de que a rebelião teria durado cerca de 17 horas. No entanto, o juiz afirmou, em entrevista, ter ficado em estado de choque ao entrar no complexo penitenciário na noute de domingo (1º), por volta das 22 horas, horário local. O magistrado relatou ter se deparado com dezenas de corpos mutilados e decapitados. Segundo ele, as mortes ocorreram logo nas primeiras horas da "rebelião" e ficou claro que não se tratava de uma rebelião, mas sim, de execuções orquestradas por um grupo rival.

Com experiência em rebeliões, o juiz Valos mostrou-se chocado com o cenário de terror dentro do presídio. Ainda segundo ele, os presos não fizeram nenhum tipo de reivindicação. A suposta rebelião teria sido apenas uma forma para ganhar tempo e realizar as execuções. "A disputa entre facções ficou bem claro", disse ele.

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Limpa geral

A tese de que tudo não passou de um "limpa" promovido pela FDN dentro do presídio de #Manaus foi levantada também por investigadores ouvidos pelo jornal Zero Hora, de Porto Alegre. O objetivo da ação seria a de eliminar integrantes da facção criminosa PCC de São Paulo. As duas organizações criminosas disputam o controle de uma importante rota de tráfico de drogas conhecida como "Rota Solimões".

Essa rota é considerada muito importante para os traficantes, pois dá acesso as caminhos que permitem escoar a droga produzida no Peru e na Bolívia e daí distribuir para o resto do Brasil. Eliminar a concorrência do PCC já estaria nos planos dos líderes da FDN há mais de um ano, de acordo com o relatório final da operação La Muralla, realizada pela Polícia Federal em 2015.

Ainda de acordo com a PF, pelo menos três líderes do PCC teriam sido executados por integrantes da FDN dentro do sistema prisional amazonense nos últimos meses. A #chacina ocorrida no complexo Anísio Jobim teria sido parte do plano da Família do Norte para acabar com todos os integrantes do PCC dentro dos presídios dos estado do Amazonas.

E a FDN não estaria sozinha nesta empreitada. O relatório da operação La Muralla apontou para a relação entre a facção criminosa amazonense e o Comando Vermelho, do Rio de Janeiro. Aliadas, essas duas facções estariam atuando juntas e cooperando com o plano da FDN de acabar com o PCC.