Celia Castedo Monasterio era a controladora de voo da Chapecoense. Na Bolívia, ela percebeu que o plano de viagem da aeronave não descrevia corretamente a quantidade de combustível. Celia teria tentado impedir a decolagem do avião, mas não teria competência para tanto. Dessa forma, ela não foi capaz de parar a viagem, que terminaria com a morte de 71 pessoas. O voo que saiu da Bolívia terminou em um morro, a 38 Km do aeroporto de Medellín, na Colômbia, no fatídico 29 de novembro. Em entrevista exibida pela TV Globo nesta terça-feira, 3, Celia diz que está sendo ameaçada por saber demais. Escondida no Brasil em lugar não revelado, a mulher diz que tem medo de morrer e até chorou ao se dizer "ameaçada" constantemente.

Em entrevista ao jornalista Fred Justo, ela lembrou como foram aqueles dias do acidente.

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Segundo a controladora, ela não tinha como evitar a decolagem do avião da LaMia, mesmo tendo ciência dos problemas encontrados. De acordo com ela, antes de chegar o documento em suas mãos, a empresa e o piloto necessitam de uma autorização da DGAC. Ou seja, é a DGAC quem proíbe ou autoriza qualquer viagem. O plano de voo apresentado ao escritório colombiano foi o mesmo que chegou em suas mãos, portanto, não haveria mais o que fazer. Celia agora está refugiada no Brasil. O local onde ela está não pôde ser revelado pela Globo.

A controladora disse que nunca se sentiu responsável pelo acidente. De acordo com ela, seu trabalho era observar detalhadamente todo o plano de voo e foi isso o que ela fez. Ela disse que observou três vezes que não havia combustível suficiente para a autonomia da aeronave, mas que os representantes da LaMia teimaram que seriam capazes de fazer uma viagem gastando menos combustível.

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Mesmo fazendo as alegações, ela diz que não tem como obrigar que a viagem não prosseguisse. Isso porque a empresa é quem faz o balanceamento e o peso da aeronave. Dependendo dos cálculos, tudo isso sofre muita alteração e de fato, o combustível poderia ter sido mais que suficiente para a viagem. #Chapecoense