Os quase 100 brasileiros mortos nos presídios brasileiros na primeira semana de 2017 são o extremo de uma guerra que até 2015 recebia pouco destaque na imprensa: a briga pelo controle do #tráfico de drogas no Brasil. As chacinas do Amazonas e Roraima colocaram em primeiro plano o que especialistas de segurança acreditam ser o início de uma "violência colombiana" no País. A #Guerra envolve uma guerrilha, duas facções e dezenas de milhares de soldados que se enfrentam diariamente para ter o controle dos principais pontos de venda, fabricação e transporte das drogas no Brasil. E este confronto envolve "gente grande": o Primeiro Comando da Capital - PCC (que no início dos anos 2000 realizou ataques terroristas em São Paulo), o Comando Vermelho (facção carioca que se tornou famosa nos anos de 1990), a Família do Norte - FDN (facção em ascensão, afiliada ao Comando Vermelho) e até mesmo o grupo guerrilheiro colombiano Farc.

A força dos envolvidos

O Primeiro Comando da Capital é a principal facção criminosa brasileira. Conta atualmente com cerca de 30 mil "soldados". Apesar de ter nascido em São Paulo, possui atuação em todo o Brasil. Dos 30 mil "batizados" da facção, apenas oito mil atuam em São Paulo. Outros 22 mil estão espalhados pelo País. Já o Comando Vermelho tem cerca de 20 mil soldados em todo o Brasil. Destes, 16 mil atuam fora do Rio de Janeiro. PCC e CV eram "aliados" até que, no ano passado, as lideranças dos grupos se desentenderam e declararam guerra uma a outra. "O PCC quer a hegemonia do tráfico de drogas no Brasil", afirma o promotor do Ministério Público de SP, Lincoln Gakiya.

A FDN é a terceira maior facção nacional. Apesar de ter menos gente que o PCC (especialistas não sabem precisar quantos soldados a fação possui), a FDN possui aliados poderosos, como o próprio Comando Vermelho e, ainda mais grave, com o grupo guerrilheiro Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Por meio desta parceria com a guerrilha, a FDN consegue escoar a produção de cocaína na Bolívia e no Peru para os pontos de venda no Brasil.

Violência não ficará restrita aos presídios

A guerra que, por enquanto, está restrita aos muros dos presídios da região Norte do País pode transbordar para as ruas dos grandes centros urbanos em breve. O ataque do FDN aos membros do PCC em Manaus não foi uma escolha ao acaso. O PCC estava "recrutando" soldados no Amazonas, para se fortalecer. O ataque do FDN tinha como objetivo deter o crescimento do PCC na região, um dos principais pontos de entrada de drogas no Brasil.

Rio sob tensão

Outro ponto de tensão é a favela da Rocinha, no Rio de Janeiro. A favela é uma das "bocas" mais rentáveis do tráfico no Brasil. No mês passado o PCC "tomou" o controle da favela, em um grande golpe ao CV. O massacre em Manaus também é uma resposta do CV (aliado do FDN) a esta investida dos bandidos paulistas. O estado do Rio de Janeiro, entretanto, ainda é controlado pelo Comando Vermelho.

Outros estados

Especialistas em segurança preveem que a guerra entre PCC, CV e seus afiliados ainda deve ter outros capítulos violentos nas próximas semanas. Os estados mais críticos, onde a tensão é maior, são aqueles que nenhuma facção conseguiu ainda "assegurar". São eles Amazonas, Roraima e Rondônia.

Os demais estados brasileiros (exceto o RJ, controlado pelo CV; e SP e PR, controlados pelo PCC) são controlados por facções sem atuação nacional. #Guerra Civil