Depois das rebeliões no Amazonas e em Roraima, a guerra entre facções atingiu o Rio Grande do Norte. Desde sábado, 14 de janeiro, policiais vêm tentando conter motins no estado, o primeiro deles no presídio de Alcaçuz, na região metropolitana de Natal. Na noite de ontem, outra #Rebelião ocorreu, dessa vez na Penitenciária Estadual do Seridó, em Caicó, deixando vários feridos e pelo menos um detento morto.

Além dos conflitos dentro dos presídios, foram registrados ataques em pelo menos oito municípios no Rio Grande do Norte ontem (18) e hoje (19), com ateamento de fogo em diversos ônibus, a um carro do Governo do Estado, a três veículos da Secretaria de Saúde de Caicó e a um da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana, além de duas delegacias e um prédio público.

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A maior parte desses ataques se deu durante o processo de transferência de 220 detentos da penitenciária de Alcaçuz pela Polícia Militar, na tentativa de dar fim ao motim que deixou, até o momento, 26 mortos, 15 deles decapitados. Devido à superlotação, o sistema não é mais capaz de controlar os registros dos indivíduos apreendidos, de forma que não foi possível nem mesmo fazer a identificação dos que foram assassinados.

A rebelião de sábado teve início quando presos de um pavilhão que abrigava membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) invadiram outro pavilhão em que estavam os aliados ao Sindicato do Crime do RN. Posteriormente, os membros do Sindicato passaram a reivindicar a remoção dos associados ao PCC, ameaçando novo motim caso não houvesse a transferência de seus rivais para outros presídios.

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A capacidade de Alcaçuz, maior presídio do estado, é de 620 internos, mas abriga no momento 1.200. Desde 2015 o Rio Grande do Norte tem sofrido com ondas de rebeliões e ataques organizados, responsáveis pela depredação de pelo menos 16 presídios, nos quais não é mais possível manter os presos dentro das celas.

Em agosto de 2016, após terem o sinal de celular bloqueado, detentos do Presídio Estadual de Parnamirim associados ao Sindicato do Crime ordenaram uma série de ataques em Natal e em outras cidades, incendiando 32 ônibus pelo estado.

À ineficácia do sistema prisional em todo o Brasil soma-se à atuação de um Ministério da Justiça não apenas incompetente, mas também mentiroso e dissimulado, que insiste em declarar que essas rebeliões são fatos isolados, frutos de acerto de contas. O próprio presidente Michel Temer chegou ao disparate de chamar a chacina em Manaus de "acidente", ignorando os sinais claros de que essa guerra entre facções teria início.

A Procuradoria Geral da República instaurou processos para que fossem investigados os sistemas penitenciários do Amazonas, Pernambuco, Rondônia e Rio Grande do Sul, a fim de avaliar a situação dos mesmos e quais medidas seriam necessárias para o estabelecimento da ordem.

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Enquanto os governantes aguardam resultados de avaliações e relatórios, a população espera, preocupada, para saber onde se dará a próxima rebelião e se ela ficará restrita ao presídio ou se espalhará pelas ruas. #Violência #Crise-de-governo