O período imperial brasileiro deixou heranças marcantes para o futuro do país no que concerne à constituição do conceito de nação. À saber: "nação - agrupamento político, autônomo que ocupa territórios definidos e cujos membros respeitam instituições compartidas."

Entenda-se por instituições compartidas o conjunto de costumes, culturas e características organizados em uma #Sociedade.

Bom, se no conceito de nação descrito, os membros devem respeitar as regras de uma sociedade, o #Brasil carece de uma identidade que observe valores como: coletividade e preservação.

Pra começo de história, como já sabemos, o território brasileiro quando ocupado pela família real portuguesa nada mais foi que uma opção de refúgio, em um momento delicado da realeza.

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Não fomos imaginados como nação, fomos tomados como território de expansão dos domínios da metrópole. Simples assim.

Para aprofundar o conhecimento sobre assunto sugerimos o livro: História das Ideias Pedagógicas no Brasil, no qual o autor Demerval Saviani faz uma análise histórica da #Educação brasileira desde a vertente religiosa (1549) até a pedagogia produtivista(2001).

Como colônia, que oferecia riquezas naturais e humanas (mão-de-obra) convenientes aos exploradores colonizadores, aprendemos desde muito cedo que nossas riquezas só serviam para serem saqueadas, exportadas e/ou divididas entre aqueles que detinham a força de dominação.

Espere! Falamos do passado ou do presente? Será que existem hoje situações semelhantes? Essa cultura da exploração desenfreada têm formas de reprodução e impactos sociais e econômicos bem atuais.

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Basta olhar para a história de devastação da Amazônia e de outros territórios nos mais variados ciclos econômicos (pau-brasil, ouro, borracha, café, algodão e por aí vai...) sem nenhuma ou pouca e inábil política de sustentabilidade com vistas ao consumo consciente.

Basta olhar os índices de distribuição de riquezas que revelam uma "minoria com muito" e a "grande maioria com quase nada".

Basta olhar para o índice de endividamento das famílias brasileiras que chegou aos 63,5%, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, através da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor divulgada em setembro do ano passado.

Basta olhar para o patamar da educação pública brasileira em nível mundial. Segundo dados, o Brasil continua o ocupar os últimos lugares no ranking do Pisa(exame educacional que é referência no mundo) em 2016.

Certamente existem outros aspectos a serem levantados, mas á luz dos que foram citados é possível considerar que, não aprendemos a valorizar e preservar nossas riquezas; não aprendemos a pensar na coletividade; não investimos adequadamente em educação de qualidade, elemento basilar na constituição de um povo.

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Para Lev Vygotsky, teórico russo mundialmente conhecido, o indivíduo se constitui a partir de suas interações sociais e condição de vida. Se é assim, podemos também concluir que os processos educativos vivenciados pela maioria da população brasileira, esta mesma que hoje que se encontra endividada por exemplo, tem haver não só com um processo de exploração histórica (que toma proporções exponenciais a partir do capitalismo), mas também com a ausência de políticas, sobretudo educacionais, adequadas à formação de sujeitos e de uma sociedade, co-responsáveis pelo seu destino individual e coletivo.