Segundo decisão tomada na segunda-feira, 23 de janeiro, a prefeitura de Ariquemes, em Rondônia, proibiu a distribuição de livros escolares contendo questões de gênero ou tratando de diversidade sexual. O prefeito Thiago Flores, do PMDB, declarou que as páginas do material didático contendo temas como diversidade sexual ou mesmo #Educação sexual (como a indicação do uso de preservativos) deverão ser suprimidas.

Uma comissão ficará responsável, em fevereiro, por identificar conteúdos referentes a "ideologia de gênero" e diversidade familiar. Amalec da Costa, do PSDB, é um dos vereadores responsáveis por protocolar o ofício na Câmara, sob a justificativa de que assuntos como orientação sexual e uso de preservativo devam ser abordados pelos pais, não cabendo à escola, acreditando que a informação sobre essas questões possa influenciar as crianças.

Publicidade
Publicidade

Mais uma vez, a falta de conhecimento e a distorção a respeito de como a educação sexual é ensinada acabou por prevalecer. A necessidade de esse tema ser abordado nas escolas é urgente, pois há grande omissão por parte dos pais e também das instituições no que concerne ao diálogo claro e aberto a respeito da #sexualidade, ignorando que ela está presente na infância, na forma de descobertas e curiosidades.

Em 2015, de acordo com pesquisa realizada pelo IBGE, aproximadamente um terço dos adolescentes declararam já ter iniciado sua vida sexual antes de chegarem ao ensino médio e cerca de 40% deles não fez uso de preservativos na primeira relação.

Na Inglaterra, a agência Press Association contabilizou, entre janeiro de 2010 e setembro de 2013, 2 mil casos em escolas do país envolvendo conduta inapropriada e de cunho sexual por parte de alunos.

Publicidade

Esse número é bem menor que a realidade, pois muitas das instituições preferem não notificar autoridades; além do mais, a ocorrência é cerca de dez vezes maior entre garotos (fato que evidencia a importância de se abordar questões de gênero no ensino).

A maior parte desses problemas acontecem com alunos entre os 13 e 15 anos de idade, mas é assustador pensar que, entre os casos, há crianças muito mais jovens, de até 5 anos, punidas por comportamento inadequado, como assédio, bullying, abuso ou envio de conteúdo sexual pelo celular.

O que os números revelam é o perigo da supressão desse tema, que deveria encontrar nas escolas um ambiente propício para o debate, de forma a conscientizar as crianças o quanto antes. A educação sobre sexualidade é uma orientação global da Unesco e países como a Holanda inserem a temática no currículo desde o jardim de infância.