Em entrevista ao HuffPost e ao jornal O Globo, o secretário nacional de Juventude disse que deveria haver "uma chacina por semana" e lamentou a repercussão que as notícias das rebeliões tiveram. Incorrendo em falsa simetria, Bruno Júlio lamentou que as chacinas gerassem mais comoção que o caso de Campinas, em que 12 pessoas morreram, criticando o "politicamente correto". Posteriormente, ele disse à Folha de S. Paulo que sua declaração fora deturpada.

A fala de Bruno Júlio é expoente de uma percepção que tem se alastrado no país, a qual se fecha para recortes e contextos específicos e adota a crítica e a culpabilização alheia como formas de invalidar determinados problemas em detrimento de outros.

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Assim, a preocupação com as chacinas - que revelam o decorrer de uma verdadeira guerra do #Crime - é minimizada e deslegitimada com a menção de um tiroteio provocado por motivações machistas e misóginas que chocou todo o país.

Trata-se de uma falsa simetria comparar as reações aos casos porque o primeiro ainda está em andamento e a população deve enfrentar, além das notícias, o medo do que pode acontecer em decorrência da briga entre duas grandes facções. O segundo, por sua vez, continua a causar comoção por todos os fatores que o desencadearam, os quais têm sido discutidos à exaustão, tanto em termos de indícios quanto a nível de crimes levados a cabo. Em vez de analisar separadamente os acontecimentos para levar em conta os problemas estruturais e suas consequências, Bruno Júlio se limita a comentar que ao sofrimento das "pessoas de bem" não é dada tanta importância.

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A visão reducionista do secretário ignora o fato de as rebeliões estarem intimamente ligadas à má administração do sistema não apenas penitenciário, mas de segurança pública, algo que se relaciona com a visão desenvolvida por cidadãos de como o poder judiciário é ineficaz e não cumpre suas demandas - o que, em partes, está na pauta do texto deixado pelo atirador de Campinas.

Pedidos de exoneração têm se repetido durante o governo de Michel Temer por "gafes" (que vão de condutas criminosas a apologias ao crime, como é o caso da declaração de Bruno) e isso parece ter se tornado um padrão. Assessores e auxiliares presidenciais chegaram a declarar que sua presença como secretário de Juventude se tornou insustentável, recomendando sua demissão. #Violência #Crise-de-governo