Foram divulgadas pela imprensa, neste domingo (15), conversas gravadas entre o comandante da facção responsável pela morte de 56 presos em Manaus e um político do estado, que na época era subsecretário de Justiça do Amazonas.

Os áudios trazem o chefe da organização, José Roberto Fernandes Barbosa, vulgo Zé Roberto da Compensa, dizendo abertamente ao subsecretário major Carliomar Barros Brandão que iria mandar matar os rivais.

Compensa é apontado como responsável pela matança ocorrida no início do mês, que simbolizou um ataque à facção que atua no Sudeste do país.

As conversas, divulgadas pelo programa Fantástico, foram realizadas em 2014, dentro da cadeia.

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O material já estava sendo investigado pela Polícia Federal desde a operação La Muralha, deflagrada em 2015.

Nos áudios o traficante diz que sua organização tem tudo: dinheiro e armas e que vai revidar se mexerem com eles.

O bandido diz ao major e a outras pessoas que estão no recinto que tudo bem se “ele” prender seus soldados lá fora com droga, “mas que não venha perturbar nós (sic)”.

O subsecretário responde que o que “ele” quer é sempre a paz. “Ele” seria o então candidato ao Governo do Amazonas, José Melo (Pros). A conversa aconteceu em outubro de 2014, entre o 1º e o 2º turno das eleições pra governador. O político foi eleito, inclusive com o apoio da facção, já que Zé Roberto da Compensa diz que seu bando votaria nele e que achava que seriam cerca de 100 mil votos só deles.

Ainda segundo a matéria do Fantástico, o criminoso sugeriu que se quebrasse o “seguro” (área para presos ameaçados de morte por serem estupradores ou de outra facção).

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“Espalhando lá dentro, já era. Acabou, não tem mais seguro, nós controla tudo (sic)”. E o Major responde: “Claro”.

Ele fala de inimigos que estão na área protegida e o subsecretário diz que iria ver se “quebrava esse seguro”.

Em outro momento da conversa são citados nomes de presos alvo de Zé Roberto da Compensa: Rubão e Deco, ambos do Pavilhão 1. Poucos meses depois, em 2015, os dois foram assassinados dentro de outra cadeia de Manaus.

Pouco mais de dois anos depois das conversas terem sido realizadas, no primeiro dia de 2017, Zé Roberto teria dado a ordem para a matança no Complexo Penitenciário Anísio Jobim.

Os presos ficaram no controle por 17 horas. No total 56 mortos e 119 fugas de detentos foram registrados.

O governo do Amazonas se pronunciou por meio de comunicado, afirmando que em nenhuma hipótese compactuou com organizações criminosas. Diz ainda que os diálogos são produto de ataques políticos de adversários.

#Crime #Casos de polícia