"Cada jornalista morto ou neutralizado pelo terror é um observador a menos da condição humana. Cada ataque distorce a realidade por criar um clima de medo e de autocensura." (Barry James, "Press Freedom: Safety of Journalism and Impunity", #UNESCO, 2007)

O relatório Abert 2016, lançado nesta terça-feira (21), em Brasília, revela que, não obstante a redução do número de jornalistas assassinados, o Brasil está entre os 10 países mais perigosos do mundo para o exercício da profissão. Os dados são da Press Emblaim Compaign, que consta dos dados da Abert.

Em 2015 ocorreram oito assassinatos e dois em 2016. No entanto, em 2016 houve um aumento de 62,26% dos casos de violência não-letal contra jornalistas – TV, jornal e rádios, são os mais frequentes.

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As agressões físicas (atentados, ataques, ameaças e intimidações) passaram de 106 em 2015 para 172 em 2016. A entidade sublinha que 261 profissionais sofreram #Violência não-letal por parte de alguns agentes do poder público (policiais, políticos e funcionários) e por manifestantes, nesta ordem. Os dados apresentados pela Abert cobrem todo o ano de 2016. Ou seja, reflexo claro da atual crise político-econômica pela qual passa o país.

Casos 2015, 2016

Agressões Físicas 64, 67 (Aumento de 4,7%); Atentados 3, 6 (Aumento de 100%); Ataques/ Vandalismos 3, 17 (Aumento de 566%); Ameaças 14, 19 (Aumento de 35,7%); Detenções/ Prisões 8, 7 (Queda de 12,5%); Ofensas 5, 22 (Aumento de 340%); Intimidações 9, 17 (Aumento de 88,8%); Censura 0, 12; Roubos e Furtos 0, 4; Assédio Sexual 0, 1.

Em 2016 foram registrados 18 casos e ações judiciais, dos quais 12 foram relativos ao #Jornalismo independente.

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Juízes de vários estados decretaram prisão aos profissionais e proibiram os meios de comunicação de publicar os dados apurados. Até quebra de sigilos telefônicos foram efetuados, no intento de saber a origem das notícias veiculadas. Segundo a Abert, "uma clara ameaça a um dos pilares do jornalismo: o direito constitucional do sigilo da fonte".

“Essa incompreensão dos agentes de segurança pública em relação ao real papel dos profissionais da imprensa talvez seja um dos mais graves problemas que devem ser enfrentados. A inclusão, nos treinamentos, sobre como tratar os profissionais e veículos de comunicação na cobertura de eventos públicos seria extremamente relevante e atenuaria os casos que estamos lamentavelmente relatando”, afirmou o presidente da Abert, Paulo Tonet Camargo, em entrevista coletiva concedida à imprensa.

A Abert acrescentou, ainda, o fato de 2016 ter sido o ano das Olimpíadas e Paralimpíadas no Rio de Janeiro, o que resultou no aumento nos casos de roubo, furtos e agressões contra jornalistas estrangeiros que atuaram no Brasil, na cobertura dos jogos.

O relatório demonstra que os dados da Abert corroboram com os da organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), no qual o Brasil ocupa o segundo lugar (na América Latina) de país mais violento contra jornalistas, atrás apenas do México.