Apesar da informação do governo do estado do Espírito Santo ser de que neste domingo (12) 900 policiais voltaram ao trabalho, os bloqueios nos quartéis continuam.

Reivindicando o pagamento do 13o salário, melhores condições de trabalho e reajuste salarial, além de benefícios, esposas e mães de policiais tomaram a iniciativa de impedir que os policiais fossem para as ruas, ocupando os batalhões. O resultado desta ação foi a instalação do caos no estado.

137 assassinatos em uma semana

A #Violência não se limitou aos assaltos, arrastões e saques impediram a população de trabalhar, ir à escola, ou mesmo às compras. Os ônibus pararam de circular e o sentimento de insegurança tomou conta do povo, não sem razão.

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Em apenas uma semana, 137 pessoas foram mortas, um número maior do que ocorre na guerra civil da Síria.

Acordo fracassado

A tentativa de acordo proposta pelo governo do Espírito Santo fracassou, apesar da ameaça de que aqueles que não retornassem ao trabalho até às 7 horas da manhã de sábado estariam sujeitos às penas previstas em lei, que são o indiciamento pelo crime militar de revolta, a consequente expulsão e a condenação de 8 a 20 anos de prisão. Até sexta-feira (10), 703 policiais já haviam sido indiciados.

O governo não atendeu ao pedido de reajuste salarial e prometeu apresentar proposta no final de abril, o que parece não ter sido convincente.

Embora o governador César Colnago (PSDB) afirme que um total de 900 policiais voltaram ao trabalho e que, a partir desta segunda-feira (13), os ônibus voltarão a circular normalmente na capital Vitória, a #Greve continua e o comércio voltou a funcionar apenas parcialmente.

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Para tentar conter a onda de violência, 3.130 homens das Forças Armadas estão atuando na segurança.

Rio de Janeiro segue o exemplo

Desde sexta-feira, mulheres cariocas seguem o exemplo capixaba, acampando em frente aos batalhões da Polícia Militar, com o intuito de bloquear o patrulhamento nas ruas do estado do Rio de Janeiro.

No mínimo receoso do que pode vir a acontecer, o governador do Rio Luiz Fernando Pezão promete que na terça-feira (14) pagará os salários de janeiro que, assim como o décimo terceiro de 2016, as horas extras e bonificações, também não foram pagos. Além disso, acena com um reajuste, que está em pauta desde 2014.

Embora a adesão ainda não seja tão forte quanto no Espírito Santo, quase 30, dos cem batalhões cariocas, registraram protestos.

Estopim

A falência das instituições brasileiras é uma realidade. O sistema penitenciário, palco da selvajaria que resultou em 134 assassinatos apenas nas duas primeiras semanas de 2017, serve como sinalizador do quão caótico ainda pode se tornar o país, com incontáveis "panelas de pressão em fogo alto".

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Salários parcelados, atrasados, más condições de trabalho, são parte do cotidiano das polícias na maior parte dos estados. Maus exemplos estão em todos os patamares da política e, muito provavelmente, o que se pode esperar, com o somatório dos acontecimentos que começam a pipocar de norte a sul, são dias piores.

Salve-se quem puder! #Casos de polícia