Familiares e esposas de policiais militares do Rio de Janeiro estariam organizando uma manifestação semelhante à ocorrida no Espírito Santo, com o intuito de cobrar pelos pagamentos atrasados. A ideia tem se espalhado por meio de grupos formados no WhatsApp, em que se comunicam principalmente as esposas dos PMs. Os participantes pretendem se colocar em frente de todos os batalhões do estado para impedir a saída dos agentes.

A notícia, veiculada pelo jornal Extra, revela que os grupos planejam chegar cedo aos respectivos batalhões, para que o expediente do dia não tenha início e os policiais não possam sair, seguindo o exemplo dos protestos realizados no Espírito Santo.

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As demandas são pelo pagamento do 13º salário, das horas extras e os valores referentes às metas alcançadas em 2015, que deveriam ter sido repassados no ano passado. Ainda não há uma data marcada para esse ato.

Sabemos como a situação de crise no Rio de Janeiro é grave e as condições para os servidores são ínfimas, para não dizermos inexistentes. Contudo, interromper as atividades da Polícia Militar, cujos oficiais são proibidos pelo Código Penal Militar de realizar greves e manifestações, levará o estado a um caos absoluto que significará prejuízos não apenas individuais, mas públicos, os quais dificilmente poderão ser sanados a curto prazo.

Isso porque, se não há verba nem mesmo para o pagamento dos salários devidos, também não haverá recursos para lidar com as consequências da falta de policiamento num estado violento e, como foi possível testemunhar pelo caso do Espírito Santo, também ocorrerão danos ao patrimônio público, isso sem falar que a grande maioria dos serviços acaba sendo suspensa à força, por conta do medo.

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A reação em cadeia também atinge o desempenho econômico do estado, já que os comerciantes irão perder grande parte de suas mercadorias, alguns provavelmente não conseguirão se reerguer e pedirão falência, o índice de desemprego certamente irá aumentar. Sim, tudo isso por conta de uma paralisação.

Ademais, fosse qualquer outro grupo a se manifestar, bloqueando a saída de servidores públicos, a repressão e dispersão seriam prontamente feitas pela própria PM com balas de borracha, sprays de pimenta e bombas de gás lacrimogêneo.

Ao se tirar o direito da população civil à segurança para se reclamar o direito ao salário e a condições de trabalho mais justas essas manifestações mostram como a preocupação individual sempre irá falar mais alto que o bem social e a segurança pública. Se aos militares é impedido o direito à greve e à manifestação, esse fato se deve a uma hierarquia rígida e excessiva dentro do próprio meio militar. Podemos compreender a necessidade, por parte dos familiares, de protestarem no lugar de seus próximos, mas não há meios para entender a escolha por uma paralisação que resultará no caos generalizado, sendo que a luta deveria ser sempre pela melhora. #Casos de polícia #Crise no Brasil