Um drama se abate sob as cabeças de internos e funcionários de um centro que abriga pessoas com problemas. O município de #Barbacena, em Minas Gerais, que é responsável por manter o Centro Hospitalar Psiquiátrico (antigo hospital colônia), afirma não ter mais condições financeiras para custear as despesas das residências e pede ampliação de repasses de verbas federais.

De acordo com informações exclusivas da #Folha de São Paulo, alguns funcionários têm feito manifestações para que os internos sejam mantidos no centro. Apesar do local ter uma história triste, hoje muitos dos internos se sentem mais acolhidos por lá. Uma mudança radical, agora, poderia causar mais transtornos.

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A enfermeira Fátima Tertuliano contou para a Folha que, no centro, é possível que os internos façam atividades recreativas. "Aqui eles passeiam, vão ao restaurante. Lá nas casas ficam sem fazer nada. A gente tinha uma paciente, a Cremilda, que saiu daqui andando, mas hoje está acamada", disse Fátima.

O secretário de saúde de Barbacena, Orleans Costa, afirma que o Ministério da Saúde está em dia com eles, porém, para habilitar mais moradias no centro, é preciso que venha mais recursos. "Com o dinheiro que tenho hoje não consigo receber mais ninguém", conta o secretário.

Costa ainda afirma que, para ele, funcionários que protestam contra o fim da instituição hospitalar, na verdade, estão preocupados em perder o emprego. Mas ele garante que essas pessoas que trabalham no centro serão reaproveitadas em outras unidades hospitalares.

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Conforme os dados da Folha de São Paulo, atualmente, o centro tem 32 casas; 220 internos moram nelas. Cada casa custa entre R$ 1.000 a R$ 2.000.

O Ministério da Saúde afirmou que repassa R$ 651,1 mil mensais para a Rede de Atenção Psicossocial de Barbacena. O problema é que não são apenas os funcionários que estão descontentes com essa questão de fechar o hospital, os próprios internos têm se manifestado contra. Um dos internos, Sueli da Silva, 59 anos, mora no local há 10 anos e não quer ir embora. "Nem me pergunte isso. Não faça isso comigo, pelo amor de Deus", desabafou Sueli.

Mesmo autorizada a deixar o local, Sueli não tem para onde ir. Ela é diagnosticada com esquizofrenia paranoide. É importante pensar primeiro no bem estar dos ex-pacientes psiquiátricos, pois são eles que sofrerão as consequências de uma eventual mudança, visto que já estão acostumados com uma rotina hospitalar.

Agora, o desafio para os responsáveis pela manutenção do centro é acalmar os internos que ali vivem e buscar soluções para evitar que o centro hospitalar feche as portas. #sistema de saúde