A Petrobras comunicou a ocorrência, nesta quarta-feira (22), do rompimento de um duto (riser) de produção da plataforma P-19, localizada no campo de Marlim, na Bacia de Campos. Houve o vazamento de 10 litros de óleo no mar, e até o momento não foi comunicado sobre vítimas, bem como se a extensão mancha de óleo atingiu as águas oceânicas. A #Petrobras disse que o poço foi automaticamente fechado e que comunicou os órgãos reguladores competentes, como o Ibama (Instituto Brasileiro do #Meio ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). A empresa ainda não informou a sua avaliação detalhada sobre o vazamento.

O Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF), em nota, disse que recebeu a informação no final da tarde desta quinta-feira (23), que ainda não tem conhecimento da extensão dos danos causados e está em contato com a área de segurança da Petrobras.

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O Sindipetro-NF informou, também, que barcos de apoio e de controle de emergência foram mobilizados, o que possibilitará, em breve, uma análise das consequências ambientais. A entidade enviou seus diretores para acompanhar e apurar mais informações e solicitou aos petroleiros que enviem informações.

Nesta sexta-feira (24), o diretor do Departamento de Saúde do Sindipetro-NF, Sérgio Borges, descreveu que o incidente foi em função do rompimento aconteceu durante uma operação de gaseificação no duto de óleo, "em função da dificuldade de surgência da linha de produção".

Borges disse que os operadores perceberam uma mancha prateada de óleo de cerca de 1 km de extensão, e que segundo a gestão da Petrobras é provável tratar-se de óleo residual devido à tubulação estar cheia de gás, durante a operação.

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Segundo o sindicalista, a linha onde ocorreu o rompimento foi inspecionada com a utilização de um ROV (equipamento para inspeção de dutos). "O poço está fechado na árvore de natal e não detectaram nenhum vazamento nem próximo da unidade e nem distante. Estão avaliando o quanto de óleo sujou a plataforma em função da formação do spray de gás, quando a linha se soltou ao redor do queixo duro do poço", detalhou Borges.

Outros casos

Em 15/2, o Sindipetro-NF informara sobre uma parada em plataforma e os riscos para os petroleiros, em função da falta de manutenção. Isto foi após o vazamento de óleo da P-40, também na Bacia de Campos. "O principal motivo desse vazamento é a falta de efetivo. O programa de demissão voluntária da empresa deixou áreas-chave como operação e manutenção deficientes", afirmara o diretor do Sindipetro-NF, Marcelo Nunes.

Nunes disse que tais ocorridos são resultado da redução considerável do número de empregados na plataforma, sobretudo nas áreas de produção e manutenção.

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Disse, ainda, que a P-40 está com produção abaixo da capacidade, deveria produzir 150 mil barris por dia (bpd) de petróleo, mas a produção tem gerado em torno de 50 mil a 70 mil bpd.

O Sindipetro-NF, a 10/2, acusou a gestão da Petrobras de estar deixando a desejar quanto à política de SMS (Saúde, Meio Ambiente e Segurança), o que tem resultado em interdições na plataforma P-40, no campo de Marlim Sul. Neste caso, o sindicato constatou a super utilização de andaimes e a má iluminação da plataforma. Sérgio Borges disse que este caso também é fruto da "política de arrocho da Petrobras que se intensificou com o neoliberalismo" do governo Temer e do presidente da petrolífera, Pedro Parente.

Em novembro passado, o Sindipetro-NF também culpou a política de Recursos Humanos da empresa pelo vazamento da P-33, ocorrido em 12/11. O convés da plataforma ficou cheio de óleo altamente inflamável, com riscos de incêndio.

O Sindipetro-NF, só por esses exemplos, demonstra que a redução de efetivo de trabalhadores pelo PIDV é um forte fator de causas de acidentes, com os decorrentes riscos humanos, ambientais e econômicos. Em 17/8, Marcelo Breda disse: "O sindicato já denunciou a todos os órgãos de fiscalização o projeto que intitulam de 'otimização', mas que na prática é pura economia com precarização da segurança". #Brasil