Essa semana, a jovem vereadora Thainara Faria, de 22 anos, causou polêmica em seu primeiro discurso no plenário da Câmara Municipal de Araraquara, São Paulo. A jovem que se elegeu pelo PT, discursou para o pleito, depois de decidir não cumprir uma regra do regimento interno na casa. A lei consiste em dizer que todos os vereadores da casa antes de iniciarem os trabalhos, deveriam ler um trecho da Bíblia, ato que a vereadora se recusou a fazer. O regimento faz parte do artigo 148 da Câmara instituído em 2006 e nunca havia sido questionado por outro membro anteriormente.

Até essa semana aqueles que se recusassem a ler poderiam colocar seus nomes em uma lista e não eram obrigados a fazê-lo, no entanto, ninguém havia discursado contra o regimento até agora.

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Para a jovem, que começou no início desse ano, o Estado é laico e não deveria ser palco de demonstrações religiosas. Ela se declarou ser católica praticamente e disse que nem por isso, gostaria de professar sua fé em um ambiente que não era destinado a isso.

Segundo a mesma é um desrespeito com as outras religiões que manifestações do tipo aconteçam se não há espaço para que elas também se mostrem no mesmo espaço. De acordo com a fala de Thainara, se fosse verdade que todas as religiões têm lugar na Câmara, então toda semana, uma diferente deveria vir professar sua conduta, como estão fazendo os católicos e os protestantes da casa.

Os outros vereadores e o presidente ficaram atordoados com a fala da colega. Muitos deles não esperavam uma reação do tipo e já consideram normais as manifestações religiosas.

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Alguns discordaram da vereadora, dizendo que o ato de ler a Bíblia pode ser considerado como direito livre e individual de cada um e que por isso poderia ser exercido espontaneamente.

No entanto, segundo a vereadora, se assim o fosse, um membro do Candomblé, outro do Espiritismo, outro do Budismo deveriam ter o mesmo espaço e não têm. Para ela fingir que as outras religiões não existem já é hipocrisia. Ainda para a jovem, a questão é que nenhuma deveria se manifestar, pois a Câmara é espaço de decisões legislativas de interesse municipal e não local de profissão de fé.

Seria obrigação do parlamentar saber as égides da lei, e uma delas é a do estado laico, e seria uma pena que muitos dos colegas não o saibam. O caso causou divisão de opinião entre os próprios moradores da cidade, alguns apoiaram a fala da nova vereadora, enquanto outros, principalmente grupos religiosos, discordaram veementemente dela. #Brasil #Política