Em 1986, o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) cumpriu 15 dias de detenção no 8º Grupo de Artilharia de Campanha (GAC). A prisão foi noticiada por vários jornais da época. O motivo foi uma denúncia feita por Bolsonaro para a revista 'Veja' intitulada “O salário está baixo”, em protesto pelos baixos salários dos militares.

Capitão paraquedista da ativa no Exército, Bolsonaro entregou à revista 'Veja' um furo de reportagem, na qual apontava que o desligamento de cadetes da Academia das Agulhas Negras estava relacionado aos baixos salários. Afirmou também que haviam militares que não conseguiam colocar ordem em casa, pois a situação econômica era precária.

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O motivo da punição

O Regulamento Disciplinar do Exército (RDE) proíbe a manifestação políticas de militares da ativa. O Exército não aprovou as declarações feitas à 'Veja' e, por este motivo, Bolsonaro recebeu a detenção de 15 dias. A punição causou solidariedade entre seus colegas de farda. Nestes mesmos dias, houve tentativas para barrar a circulação de um manifesto de mais de 300 capitães e pelo menos 150 telegramas em apoio ao companheiro preso.

Esta foi a primeira vez que #Jair Bolsonaro teve uma ocorrência de conduta contra a RDE - ele era considerado por colegas de farda como um militar disciplinado e com vocação para a liderança.

A crise dos baixos salários e a revolta dos militares

Durante a década de 80, durante a transição do governo militar para o civil, já havia uma inflação altíssima.

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Os militares não recebiam aumento e seus salários estavam em deságio. O descontentamento atingia desde os oficiais de alta patente até os cadetes recém-chegados, inclusive as famílias destes militares. Em 1987 houve mais casos de indisciplina em protestos por melhores salários.

Por força de lei, as categorias militares não podem entrar em greve, tão pouco organizar protestos políticos. Os eventos desencadeados nos anos 80 são similares aos protestos das famílias de policiais militares do Espírito Santo, que estão se espalhando por outros estados. #Curiosidades #Protestos no Brasil