Ao lado de lideranças dos movimentos sociais e sindicais, Luiz Inácio Lula da Silva discursou para a multidão e criticou a falta de sensibilidade dos donos do poder. Entenda por quê:

Mulheres, homens, trabalhadores do campo ou da cidade terão de trabalhar até no mínimo 65 anos para se aposentar, mesmo que tenha começado muito jovem. E, conforme subir a expectativa de vida no país, subirá essa idade mínima. Hoje as mulheres precisam trabalhar 30 anos e os homens 35 para se aposentar. Com o aumento da idade mínima, muitos não conseguirão. Em São Paulo, 36 bairros têm tempo médio de vida menor que 65 anos.

TEMPO MÉDIO DE VIDA EM ALGUNS BAIRROS DE SÃO PAULO

58,43 56 58,83

Brasilândia, Grajaú e Cidade Tiradentes

Além de subir o tempo mínimo de contribuição de 15 para 25 anos, a reforma determina que só receberá o valor do benefício integral da aposentadoria quem conseguir pagar o INSS por 49 anos.

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Mas no Brasil, em média, cada empregado consegue fazer 9,1 contribuições em 12 meses (dados de 2014) porque na vida laboral pode ficar desempregado, na informalidade, autônomo, sem contribuir. Assim, seria necessário trabalhar 64,6 anos para alcançar a aposentadora integral, o que se daria aos 81 anos para alguém que iniciou a vida de trabalho aos 16 anos.

Hoje a regra da aposentadoria por idade é de 70% do salário de benefício + 1% a cada ano de contribuição e será reduzida para 51% + 1% de cada ano trabalhado. E o cálculo atual leva em conta os 80% dos maiores salários de contribuição. Se a proposta de Temer passar, o valor será sobre todas as contribuições, mesmo as do início da vida do profissional, geralmente muito baixas. Não haverá regra de transição para o valor da aposentadoria.

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As pensões por morte e os benefícios de prestação continuada (Idosos em situação de pobreza extrema e pessoas com deficiência) não estarão mais vinculados ao valor do salário mínimo, deixando desprotegidos milhões de brasileiros que dependem da Previdência para sobreviver. O auxílio de pensão por morte poderá chegar a apenas 60% do salário mínimo.

Em 2015, quase 30 milhões de famílias receberam recursos da Previdência. Atualmente, 86% dos idosos têm proteção na velhice. Sem a Previdência, mais de 70% dos idosos estariam na pobreza extrema. As aposentadorias dos cidadãos representam 25% do PIB (o que a cidade produz), em pelo menos 500 municípios brasileiros. Chega a 60% do PIB em diversas localidades nos estados da Bahia, Minas Gerais e Piauí. Ou seja, sem a Previdência, esses municípios correm o risco de quebrar.

No caso da pensão por morte, não será mais possível acumular pensão por morte e aposentadoria. Terá que escolher um dos dois. Ao optar pela pensão, o beneficiário receberá 50% da aposentadoria do morto, mais 10% por dependente.

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A reforma acaba com a condição de segurado especial para os rurais, elevando a idade de aposentadoria para 65 anos tanto para homens quanto para mulheres. Além disso, obriga o recolhimento de uma contribuição individual e será preciso comprovar atividade agrícola por no mínimo 25 anos – atualmente é 15 anos.

“Os trabalhadores mais pobres deste país, sobretudo os trabalhadores rurais deste nordeste, receberam metade de um salário mínimo”. Disse Lula no protesto da Avenida Paulista.

Querem acabar com o benefício de Prestação Continuada (BPC) que é pago às pessoas idosas e com deficiência de famílias pobres. A idade mínima para receber este direito vai aumentar de 65 para 70 anos. E pretendem desvincular benefícios como este do salário mínimo.

Aos servidores, a proposta acaba com a integralidade e paridade dos futuros aposentados e dificultará a dos atuais, prejudicando os servidores federais e também aos estaduais, já que os estados devem acompanhar a decisão da União. #reformadaprevidêncianão