A Coreia do Sul optou por retomar a importação de frango brasileiro após a confirmação de que não recebeu nenhum dos produtos fraudados pelos frigoríficos denunciados pela #Polícia Federal (PF) na operação #Carne Fraca.

A suspensão temporária havia sido anunciada pelo Ministério da Agricultura do país asiático nesta segunda-feira, dia 20. Em comunicado, o governo sul-coreano informou que suspendeu as compras do produto da empresa RBF, responsável por marcas como Sadia e Perdigão. As autoridades também afirmaram que iriam exigir um certificado de saúde emitido pelo governo brasileiro, além de maior fiscalização nos frigoríficos nacionais.

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Em 2016, mais de 80% do frango importado pela #Coreia do Sul teve o Brasil como o origem. O país importa anualmente mais de 100 mil toneladas de carne de frango.

União Europeia e China também praticam restrições contra carne brasileira

Além da Coreia do Sul, a União Europeia (UE) e a China também anunciaram sanções às importações de carnes brasileiras. Enquanto a UE solicitou a suspensão de importação de produtos das empresas e frigoríficos envolvidos no escândalo, a China reteve cargas com o produto brasileiro em seus portos.

A operação da PF descobriu que 21 frigoríficos praticavam fraudes durante a produção das carnes. Segundo um auditor do Ministério da Agricultura responsável pela fiscalização de estabelecimentos no Paraná, foram encontradas irregularidades como uso acima do permitido da chamada carne mecanicamente separada - a carcaça do frango utilizada em embutidos - além do uso de ácido ascórbico, que visava disfarçar carnes estragadas.

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Deflagrada na última sexta-feira, dia 17, a Operação Carne Fraca foi fruto de uma investigação realizada pela PF por 2 anos. A PF também emitiu mandados de prisão contra 37 pessoas acusadas de atuarem no esquema que envolvia pagamento de propinas aos fiscais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Além da RBF, as denúncias também atingiram frigoríficos que produzem carnes para outras gigantes do ramo, como a JBS, dona de marcas como Friboi, Seara e Swift, entre outras. As denúncias fizeram com que o governo do presidente Michel Temer (PMDB) realizasse reuniões de emergência durante o último sábado, dia 18, e domingo, dia 19. O governo também anunciou que irá aumentar a fiscalização sobre os frigoríficos do país.

Em declarações, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, afirmou que as denúncias afeta apenas uma pequena parte dos frigoríficos brasileiros, classificando o escândalo como fruto de “poucos desvios de conduta, de poucos funcionários em algumas poucas, pouquíssimas empresas”.

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Ele também classificou os boatos de que papelão teria sido misturado à carne como “uma insanidade” e “uma idiotice”, afirmando que “a narrativa nos leva a criar fantasia” na mídia e nas redes sociais. Ele também mostrou preocupação com o fato de que as denúncias podem afetar a economia nacional, diminuindo exportações. O Brasil é responsável por 7% do mercado mundial de carnes.

Para tentar contornar a crise causada após as denúncias, Temer e seus ministros se reuniram com embaixadores de diversos países no domingo. O encontro se encerrou com um jantar em uma churrascaria de Brasília.