Na edição desta sexta-feira (3), o jornal francês "Le Monde" publicou a denúncia de que a escolha da cidade do Rio de Janeiro para sediar os Jogos Olímpicos de 2016 foi paga com propina.

O empresário Arthur César Menezes Soares Filho, apelidado de "Rei Arthur", teria efetuado o pagamento de 2 milhões de dólares para a família de Lamine Diack, que na época era presidente da Associação Internacional das Federações de Atletismo (IAAF) e membro do Comitê Olímpico Internacional (COI).

A "escolha" ocorreu em 2 de outubro de 2009, em Copenhague, e os pagamentos foram feitos três dias antes. A maior evidência da #Corrupção foi o depósito de US$ 1,5 milhão na conta de Papa Diack, o filho do senegalês Lamine.

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Um segundo depósito, de 500 mil dólares, foi efetuado em uma conta na Rússia, no nome do mesmo Papa Diack.

O Ministério Público Financeiro da França afirma que os indícios do #Crime são concretos. A acusação é de que este dinheiro tenha sido usado para comprar membros do COI, para que votassem na cidade do Rio.

Documentos obtidos pelos investigadores mostram ainda alguns dos caminhos da verba, como por exemplo o depósito feito por Papa para uma empresa offshore chamada Yemli Limited, no valor de US$ 299,300. Ligado à empresa, está o nome do velocista Franckie Fredericks, da Namíbia, que fez parte da apuração dos votos para a escolha da cidade sede da Olimpíada.

Quem é o Rei Arthur carioca?

Arthur Soares Filho já foi o maior fornecedor de mão-de-obra terceirizada do governo do Rio de Janeiro.

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Os serviços prestados eram de segurança e faxina. Através de uma rede de empresas comandadas pela chamada Facility, o grupo recebeu quase 3 bilhões de reais no período do governo de Sérgio Cabral, de quem era grande amigo.

Um banido, um investigado e dois presos

Papa Diack, que foi consultor de marketing da IAAF, está banido do atletismo.

Lamine Diack está preso na França, acusado de corrupção e lavagem de dinheiro.

Arthur Soares é investigado por repasses de R$ 1,7 milhão a empresas que lavavam dinheiro de propina no esquema do ex-governador carioca.

Sérgio Cabral, também preso, é réu na Operação Lava Jato sob as acusações de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, corrupção e desvio de recursos públicos.

Ao que tudo indica, além de atuar no âmbito brasileiro, Sérgio Cabral estendeu suas habilidades para além mar, onde deverá ter muito a explicar. #rio 2016