Quando o #Rio de Janeiro venceu a disputa para sediar os Jogos Olímpicos de 2016, as autoridades brasileiras usaram Barcelona como exemplo dos benefícios permanentes que a competição poderia trazer para a cidade, o chamado #Legado. A cidade espanhola, sede dos Jogos de 1992, revitalizou áreas então degradadas, como a zona portuária, transformando-as em pontos de grande interesse turístico.

No entanto, seis meses após a chama olímpica ter sido apagada em uma cerimônia debaixo de chuva forte no Maracanã, a situação do Rio de Janeiro está mais parecida com a de Atenas, onde o #Parque Olímpico abandonado foi convertido em alojamento para refugiados.

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Abandono

Muitas instalações construídas para o evento estão praticamente sem uso, enquanto diversas obras de infraestrutura, especialmente na área de transportes, foram interrompidas e jamais retomadas.

No Parque Olímpico, principal equipamento esportivo construído exclusivamente para os jogos, as arenas estão sem uso. Com a falta de interessados na iniciativa privada para assumir a gestão dos equipamentos, a prefeitura abriu o espaço como área de lazer este ano, mas o local não tem atraído público. Falta estrutura básica, como banheiros e lanchonetes.

As arenas que abrigaram algumas das competições mais importantes estão se deteriorando com a falta de manutenção. Até agora, o plano de desmontar e dar novas funções às construções não saiu do papel.

Desmontagem e reutilização

Ainda no ano passado, a prefeitura anunciou um cronograma com prazo até março para a desmontagem da Arena do Futuro, que seria reaproveitada na construção de escolas municipais, e do Parque Aquático, cujo projeto previa a transformação em outros dois centros aquáticos na cidade.

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Outras estruturas, como as três arenas cariocas, seriam mantidas, mas convertidas em escolas e centros de treinamento para atletas de alto rendimento. Nada, no entanto, saiu do papel até agora. A nova gestão municipal, comandada pelo prefeito Marcelo Crivela desde janeiro, não deu prazos para a conclusão do trabalho, que sequer foi iniciado.

Transportes: legado incompleto

A construção da linha 4 do metrô é sempre lembrada como o principal benefício dos jogos para os cariocas na área de transportes. Com cinco estações, o trecho inaugurado às vésperas do evento liga Ipanema à Barra da Tijuca. Para seguir em frente e chegar até o Parque Olímpico, a população conta também com o sistema rápido de ônibus, o BRT.

No entanto, para a população da Zona Norte, que concentra alguns dos bairros mais pobres e populosos da cidade, a promessa de alívio nos transportes não se concretizou. A construção do BRT TransBrasil, corredor expresso de ônibus que ligaria os bairros ao redor da avenida Brasil, importante via de entrada e saída do Rio de Janeiro, foi interrompida antes dos jogos e jamais retomada.

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A obra chegaria para dar mais uma opção aos moradores para chegar ao centro. Hoje, eles convivem com a superlotação dos trens ou encaram o trânsito pesado e o desconforto dos ônibus. A prefeitura garante que a obra será retomada, mas não informou a data de reinício do trabalho.

Enquanto isso, pessoas como a empregada doméstica Rosa Santos, moradora de Guadalupe, sofrem para se deslocar pela cidade. Ela conta que acorda às 4h da manhã para estar no trabalho antes das 8h, no Leblon, Zona Sul do Rio de Janeiro, a 37 quilômetros de sua casa. "Todos os dias eu via a obra. Achei que nossa vida ia melhorar", lamenta Rosa.