Com os dias contados, o sinal analógico de televisão deve deixar de existir em breve. Em São Paulo, por exemplo, irá ao ar pela última vez no dia 29 deste mês de março. E como funcionará o acesso às redes de TV abertas a partir de então?

TV aberta versus TV paga

Desde que começaram a operar no Brasil as TV pagas por assinatura, cuja programação é comprada de terceiros, como dos canais de filmes ou esportes, os canais "abertos" continuaram disponibilizando sua programação gratuitamente. Para que se sustentem como empresas, que por sua vez geram milhares de empregos, vendem espaço para a publicidade. No caso dos canais por assinatura, além de cobrar a mensalidade do consumidor, as operadoras também veiculam propaganda, que é paga pelos anunciantes.

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Os canais com sinal analógico, como #SBT, Record e Rede TV, permitiam, até então, que estas operadoras transmitissem sua programação sem pagar nada por isso.

Com a mudança para digital, as operadoras, que são a #NET, SKY, Vivo e Claro, perderão o conteúdo gratuito e deveriam passar a pagar pela exibição da programação, da mesma forma que pagam para os canais HBO, Discovery e Telecine, entre outros tantos. E é aí que começa o desentendimento.

Negócio da China

Juntamente com a Embratel, as operadoras não querem comprar programação de empresas brasileiras e exigem que os canais abertos continuem fornecendo a programação sem custo, ainda que com a mudança do sinal analógico para digital tenham feitos grandes investimentos em tecnologia.

O que as operadoras pretendem é receber um serviço de altíssima qualidade, que será vendido para os assinantes, ou seja, o público consumidor vai pagar para assistir à programação destes canais, sem que as mesmas precisem desembolsar um único centavo.

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Um "negócio da China" com 100% de lucro, em detrimento das empresas nacionais, que geram os tão ambicionados empregos, dos quais o país está tão necessitado.

Um dos sócios da Rede TV, Marcelo de Carvalho, gravou um vídeo representando a SIMBA - empresa criada pelos três canais para defender interesses comuns -, no qual denuncia o caso e se dirige ao público telespectador: "Você que é fã e assiste nossas novelas, nossos shows como o Programa do Faro, o Super Pop, o Encrenca, e você que não fica sem o nosso Sílvio Santos de cada domingo, fique sabendo exatamente o que está acontecendo!".

O que pode acontecer a partir de agora? Uma nova avalanche de desempregados? O fim dos canais gratuitos? Como se o Brasil fosse um país onde todos pudessem pagar por entretenimento, ou pior, como se não tivesse direito aquele que não pode pagar. #TV Paga