Nesta sexta-feira, 17 de março, foi lançada a Operação #Carne Fraca, considerada a maior já realizada na história da Polícia Federal. Envolvendo mais de mil policiais de seis estados brasileiros e no Distrito Federal, seu objetivo é o de desmantelar uma grande organização criminosa, formada por empresários do agronegócio e por fiscais suspeitos de receber propina para liberar mercadorias sem a devida fiscalização.

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A primeira informação partiu da médica veterinária Joyce Igarashi Camilo, que revelou ter conhecimento de ao menos um frigorífico que usava carne podre em suas mercadorias, de nome Peccin, localizado no Rio Grande do Sul..

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Até o momento, a investigação, feita ao longo de dois anos, revelou que duas das maiores empresas multinacionais do ramo, a JBS - dona da Friboi, da Seara e da Swift - e a BRF - dona da Sadia e da Perdigão - usavam, em suas mercadorias, tanto para exportação quanto para venda nacional, carnes podres disfarçadas com ácido ascórbico (para que os consumidores não identifiquem o gosto nem o cheiro), carne estragada e pedaços de cabeça (o que é proibido por lei) para rechear seus embutidos, como salsichas e linguiças, frango com papelão e até mesmo a reembalagem de produtos vencidos.

Ao todo, cerca de quarenta empresas foram investigadas, entre frigoríficos de grande e pequeno porte. De acordo com a Polícia, agentes públicos cobravam propina para facilitar a produção e liberação dos alimentos adulterados, emitindo certificados sanitários sem realizar fiscalização.

Entre as interceptações de ligações, a PF descobriu uma conversa do executivo da BRF em que ele trata de uma carga de 18 toneladas de carne de peru, a qual foi devolvida pelas autoridades sanitárias europeias porque estava contaminada com salmonela.

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No áudio, os indivíduos falam em utilizar a carne para fazer ração ou mortadela, para que consigam vendê-la (provavelmente aqui no Brasil).

São 309 mandados judiciais a ser cumpridos, sendo 77 de condução coercitiva, 38 de prisão e 194 de busca e apreensão em diversos locais, nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, Goiás e também no DF. #Crime #Polícia Federal