Um estudo realizado pela Receita Federal sobre o índice de crescimento organizações religiosas que ocorreu entre janeiro de 2010 a fevereiro de 2017 revela que praticamente uma nova instituição é aberta por hora no Brasil. Neste período de sete anos e um mês, foram registradas junto à Receita Federal 67.951 entidades, sendo classificadas como “organizações religiosas e/ou filosóficas”.

Pelos números, é possível estipular uma média de 25 entidades por dia. Ao excluir os grupos religiosos grandes e conhecidos, somam 20 novas organizações religiosas por dia. Sendo que, a maioria dessas entidades é de igrejas evangélicas.

A teóloga Maria Clara Bingemer, professora da PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica), declara que a abertura dessas novas entidades religiosas tem relação com a migração de fieis que discordam com aspectos da #Igreja da qual participavam antes.

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Esses fieis são acompanhados por pessoas que seguem o mesmo tipo de pensamento e, por esse motivo, acabam escolhendo abrir um novo grupo dentro da religião que possa adequar seus ideais.

Maria Clara diz que “os fiéis dessas igrejas neopentecostais, muitas vezes, são ex-católicos, ex-protestantes, estavam em outras religiões e migraram. Mas não permanecem: elas são lugar de trânsito”.

Em seus estudos, a teóloga ainda diz que devido à crise que o país atravessa, muitas pessoas se apegam a religião, pois se não possuem nem esperança, tudo irá se perder, “Acho que hoje, com aumento do desemprego, da desigualdade, as pessoas tendem a buscar a instância espiritual não só como consolação, alívio, mas como esperança. Se as instâncias terrenas não estão funcionando, vamos pedir a Deus”, afirma.

Não existe um cadastro único para que as igrejas sejam verificadas e, por esse motivo, a forma mais viável de efetuar a verificação é através do CNPJ ativo (Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas) de entidades religiosas.

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O estudo da Receita Federal apontou que somente no Rio de Janeiro foram encontrados 21.333 CNPJs ativos no Estado e nos últimos sete anos, foram registradas 9.670 organizações religiosas.

Já o Estado de São Paulo é o campeão novos cadastros, atingindo o número de 17.052 em sete anos. Além de igrejas formais evangélicas, com seguimentos católicos, espiritas etc., ainda existem as igrejas informais, aquelas que não possuem um templo, mas que pregam algum tipo de filosofia de vida, tal como as associações paraeclesiásticas, que funcionam em paralelo às denominações. Um exemplo é a Associação Ministerial Homens Corajosos.

Essa instituição não possui um templo, mas prega suas filosofias, valores e ideias que ajudam a mudar a postura para tornarem pessoas melhores para o presente e futuro. Suas palestras ocorrem em espaços cedidos por participantes ou quando são convidados em alguma entidade. Já suas palestras são organizadas também em um espaço cedido por um dos participantes, uma funerária que funciona em Nova Iguaçu, no Rio.

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No Brasil, existe uma facilidade enorme em abrir novas entidades ou organizações religiosas. É preciso somente o comparecimento em um cartório com os seguintes documentos em mãos: ata de fundação, estatuto social e composição de diretoria. Com isso, os documentos são encaminhados à Receita Federal para a o cadastro e concessão do CNPJ, que é obrigatório para dar seguimento em uma organização religiosa.

Algumas outras facilidades ainda são integradas, pois a Constituição proíbe a cobrança de impostos para qualquer entidade religiosa, tais como IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), Imposto de Renda sobre os valores doados por fiéis, ISS (Imposto Sobre Serviços) e, em alguns Estados, estão insetos de recolhimento de tributos como IPVA (Imposto sobre Propriedade de Veículo Automotor) em carros comprados em nome da entidade e ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). #Pastor #Ceita