O jogo da #Baleia Azul, uma suposta brincadeira criada na Rússia que incentiva o suicídio de adolescentes, está alarmando o Brasil. Já se registraram duas vítimas fatais no país: um rapaz de 19 anos morador de Pará de Minas (MG) e uma adolescente de 16 anos de Vila Rica, uma pequena cidade a 1.270 km de Cuiabá (MT).

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No jogo, que surgiu nas redes sociais russas e que se espalhou pelo Facebook, são criados grupos secretos compostos unicamente por adolescentes. Quem distribui os desafios é uma espécie de curador ou moderador.

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Entre os desafios, algumas provas são mórbidas, e de certa forma vão preparando os jovens para o suicídio. Alguns desafios são típicos desses #Jogos de adolescentes, como assistir filmes de terror de madrugada ou escutar músicas depressivas.

Tudo isso vai preparando o jovem para tirar a própria vida. Logo começam os desafios mais pesados como a auto-mutilação, ir a uma estrada de ferro de madrugada ou a própria morte. Para se ter uma ideia da dimensão da coisa, que até agora tem passado completamente invisível aos olhos dos pais, existem mais de 25 mil vídeos no YouTube que falam sobre o jogo, em inglês e em português.

A primeira vítima que o jogo fez fez no Brasil foi Gabriel Antônio dos Santos Cabral, de 19 anos, morador de Pará de Minas, na região central de Minas Gerais.

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Foi sua esposa quem o encontrou estirado sobre a cama de manhã, pois ela tinha passado a noite na casa de sua mãe. Cinco cartelas de depressivos vazias foram encontradas junto ao leito de morte. Imagina-se que o jovem tenha ingerido-os na noite anterior.

Gabriel era casado e tinha uma filha de apenas 40 dias. Segundo disse sua mãe, Maria de Fátima Santos, o filho agia de modo estranho nos últimos dias, querendo abandonar o grupo mas sofrendo pressão dos outros participantes. Ele inclusive saiu várias vezes mas era sempre adicionado de volta. O grupo está sendo investigado pela polícia, que encontrou nele participantes de diversos estados do Brasil, todos eles adolescentes. A polícia investiga principalmente quem teria passado ao jovem as instruções para o suicídio, embora todos do grupo tenham responsabilidade, pois são eles que pressionam a pessoa escolhida para seguir as 50 regras da baleia azul

Maria de Fátima tentou demover o filho da ideia, dizendo pra ele que aquilo era coisa do diabo, mas o rapaz estava desorientado. Ela disse que o filho cumpriu alguns desafios, como tirar uma selfie no alto de um prédio, assistir um filme de terror e inclusive se cortou tentando desenhar uma baleia no braço com uma lâmina de barbear quebrada..

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A próxima vítima foi a estudante Fátima da Silva Oliveira, de 16 anos, que morava em Vila Rica, uma pequena cidade a 1.270 km de Cuiabá, no Mato Grosso. A adolescente foi encontrada morta em uma represa na região central da cidade. Segundo a família, foi a irmã dela, Paula, que acordou às 3h28 da madrugada, ao receber uma mensagem de texto da operadora, e se deu conta de que sua irmã tinha sumido.

A mãe dela, Antônia Carlos da Silva, de 39 anos,já tinha percebido que tinha alguma coisa errada com a filha ao reparar que a jovem tinha feito alguns cortes nos braços e nas coxas nos últimos dois meses. A mãe ainda encontrou um papel com instruções a serem cumpridas, como “abrace os seus pais e diga a eles que os ama”, “peça desculpas”, “tire a sua vida”, e ficou muito preocupada, interpelando a filha, que disse que aquilo tudo era uma brincadeira. Mas Maria de Fátima passava as noites sem dormir, com o celular e o fone de ouvido, deixando sua mãe preocupada. Até que o pior aconteceu.

Na Paraíba, o setor de inteligência da polícia militar começou a investigar na terça-feira, dia 11, um caso que se passou numa das escolas do sul de João Pessoa. Um aluna do colégio teria entrado no grupo e contado a uma professora. Em vista disso, o coordenador do Centro Integrado de Operações Policiais da Paraíba (Ciop), coronel Arnaldo Sobrinho, fez um alerta no Facebook para informar pais e professores do perigo.