Hérica Izidório tinha apenas 24 anos e foi espancada no dia 12 de fevereiro, domingo, quando voltava de uma festa de Pré-Carnaval, em Fortaleza. Passando por uma passarela na Avenida José Bastos, foi abordada por um grupo de homens que a agrediu e a jogou do alto do viaduto. Ela estava irreconhecível quando a encontraram e chamaram uma ambulância.

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Hérica sofreu traumatismo craniano e foi internada no Instituto Doutor José Frota (IJF), sendo reconhecida pela irmã, Patrícia Castro de Oliveira, no dia 14. Preocupada com o fato de Hérica não ter voltado para casa, Patrícia e sua mãe procuravam por informações na região, até ouvirem de um indivíduo, num bar na própria José Bastos, que uma travesti havia apanhado "até dizer chega".

O caso de Hérica ocorreu poucos dias antes da tortura e assassinato de Dandara dos Santos, também em Fortaleza, porém, não ganhou a mesma notoriedade.

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Garota de programa havia mais de 10 anos, era ela quem ajudava com as despesas de casa, juntamente com a mãe, que trabalha em uma lanchonete e, desde sua internação, a família tem passado por dificuldades.

Depois de quase dois meses em coma, no fim de março, ela chegou a apresentar uma leve melhora, abrindo os olhos e movendo a mão, mas, nos últimos dias, seu quadro piorou significativamente. Sua morte foi confirmada ontem, 12 de abril, às 7 horas da manhã, após sofrer uma parada cardíaca durante a madrugada. Seu sepultamento ocorreu à noite, sob clamores, por parte da família e de amigos, para que a justiça fosse feita.

Até o momento, nenhum suspeito foi preso e, de acordo com investigador do 3º Distrito Policial, a dificuldade de se desvendar o crime se dá por não haver testemunhas, por ter acontecido por volta das 4 horas da madrugada, nem registros em câmeras de segurança. Com a morte da vítima, o caso agora fica a cargo da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Só em 2017 a Rede Trans Brasil, que monitora homicídios, tentativas de homicídio e suicídio de pessoas transgêneras, 40 mulheres trans e travestis foram assassinadas - Hérica é precisamente a 40ª.

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Ainda não chegamos à segunda quinzena de abril e, além do de Hérica, houve 6 assassinatos este mês, dentre eles mais dois casos de espancamento e um de morte a pauladas.

Diferentemente da comoção gerada pela tortura e assassinato de Dandara, cujo vídeo se espalhou pelas redes sociais, dando visibilidade ao caso e possibilitando uma resolução com eficiência, os outros 39 crimes permanecem invisíveis e, em sua maioria, sem solução. #Transfobia #Transgênero #Violência