A primeira #greve geral do Brasil teve início em junho de 1917, com a paralisação de aproximadamente 400 operários da indústria têxtil, em sua maioria mulheres, empregados da fábrica Cotonifício Crespi, localizada na Mooca, em São Paulo. Em poucas semanas, trabalhadores de outros setores interromperiam suas atividades por todo o estado e, posteriormente, também no Rio de Janeiro e em Porto Alegre.

Na segunda metade do século XIX, a chegada de imigrantes italianos e espanhóis traria consigo ideias de politização do trabalhador. Inicialmente empregados para substituir a mão de obra escrava nas plantações de café, os italianos abandonaram o regime de servidão ao qual estavam submetidos no interior de São Paulo para trabalhar em fábricas na capital, no início do século XX.

Publicidade
Publicidade

Ainda assim, as condições eram extremamente precárias, envolvendo jornadas diárias de trabalho de 12 a 13 horas e o emprego de mão de obra infantil.

Os italianos que se mudaram do interior para as cidades tiveram contato também com espanhóis e portugueses, que defendiam ideais libertários e começaram a se organizar em sindicatos, a fim de garantir melhores condições de trabalho. O país registrou greves nos anos de 1906 e 1907, que reivindicavam uma carga horária máxima de 8 horas diárias, as quais foram duramente reprimidas.

Com a Primeira Guerra Mundial, entre 1914 e 1917, o Brasil se tornou um grande exportador de alimentos, fazendo com que o lucro das empresas aumentasse e a disponibilidade de produtos no mercado interno diminuísse, a fim de se suprir a demanda externa, encarecendo o preço da comida.

Publicidade

A exportação de produtos de outros gêneros também aumentou consideravelmente e, para dar conta da produção, os empregadores obrigavam os operários a cumprirem jornadas diárias ainda mais longas, de cerca de 16 horas, sem que, para tanto, recebessem salários maiores.

A #Greve de junho de 1917 pedia uma série de melhorias nas condições de trabalho, além do aumento de salário e da redução das horas, direitos ainda não garantidos por lei. De acordo com o historiador da Unicamp, Claudio Batalha, em entrevista à BBC Brasil, entre os problemas visados pelos protestantes estava o assédio sexual, uma vez que não era raro que operárias da Cotonifício Crespi fossem abusadas por seus supervisores.

No fim do mês, a paralisação foi aderida por cerca de 1500 funcionários da indústria têxtil Ipiranga, também em São Paulo, atingindo ainda a indústria de móveis, no bairro do Brás, e a fábrica de bebidas da Antarctica. Em julho, a cidade foi palco de manifestações e confrontos com a polícia, resultando em diversas mortes.

Publicidade

A greve então tomou outras cidades pelo estado, como Campinas, Ribeirão Preto, Piracicaba, Santos, Sorocaba, chegando até a Poços de Caldas, no sul de Minas Gerais. Apenas em 16 de julho, um mês após o início da paralisação deflagrada na Cotonifício Crespi, foi assinado um acordo entre o governo e as organizações trabalhistas e industriais. As greves no Rio de Janeiro e em Porto Alegre, contudo, permaneceram até que as negociações fossem satisfatórias para os movimentos, o que aconteceu de maneira gradativa.

Muitos empresários se recusavam a estabelecer acordos oficiais, alegando que deveriam negociar os termos diretamente com seus funcionários - algo que aconteceu também em 1907 -, mas, posteriormente, os patrões voltavam a impor as condições anteriores às greves.

Agora, em pleno 2017, trabalhadores voltam às ruas para se manifestar justamente contra a flexibilização de direitos que deveriam ser garantidos por lei, com a certeza histórica de que a negociação com patrões nunca se dá de maneira confiável. Está-se diante de uma possibilidade real - e praticamente certa - de piora nas condições de trabalho, para que empresários possam aumentar sua margem de lucro sob a justificativa de se combater o desemprego e buscar uma melhora no desempenho da economia brasileira.

Na madrugada do dia 27 de abril, com a aprovação de um projeto que altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), a revolta dos trabalhadores se intensificou e pôde ser vista em protestos por todo o país na greve geral do dia 28, sexta-feira. Ainda não há números oficiais sobre quantos aderiram à paralisação, mas sabe-se que o evento foi mostrado de forma dissimulada pela grande mídia e minimizado pelo presidente Michel Temer, que pretende dar continuidade à chamada Reforma Trabalhista, independentemente da vontade do povo. Em São Paulo, a maior cidade do país, com uma população de 12 milhões de habitantes, pelo menos 100 mil aderiram à greve. #Crise-de-governo