No início deste mês de abril, um relato assustador de um soldado da 27ª Brigada de Infantaria Parquedista denunciou as agressões sofridas por ele, durante um trote no ano passado. O homem que tem uma origem humilde e sempre quis seguir carreira militar, teve o sonho apagado após sofrer inúmeros golpes e ficar o corpo com muitas marcas.

As imagens são chocantes e mostram um cenário de tortura física e psicológica. Oriundo da zona norte do Rio de Janeiro, o soldado enfrentou todas as provas teóricas e práticas e passou em todos os testes como uma das notas mais altas. Mal sabia ele que um dos piores momentos de sua vida ainda estava por vir.

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No dia em que soldados recém chegados deveriam receber as boas-vindas dos colegas eles passaram por um trote desumano.

A história é triste e assustadora, com o olhar e o humor deprimidos, o homem contou o que viveu na mão dos colegas. Segundo o mesmo ele teria sido levado para uma sala isolada, em que a portas fechadas foi obrigado a tirar toda a roupa e ficar nu diante dos outros soldados. A partir daí iniciou-se toda a sorte possível de agressões.

Ele foi amarrado nas mãos e nos pés e espancado com madeira, pedaços de fio, e plástico, levou chutes, murros e ponta-pé por cerca de dois minutos de muita agonia. Ao todo quase vinte homens o cercaram e fizeram parte das agressões. Passado o tempo determinado pelos próprios soldados, eles teriam gritado ‘soltem o cachorro!’. Já caído e sem forças, o jovem ainda teria recebido uma mordida nas nádegas por um soldado conhecido como ‘cachorro louco’.

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Depois da tortura, ele chegou em casa muito machucado. Dentre os golpes que recebeu, acabou levando vários chutes nos testículos, o que fez que ele tivesse que retirar um deles em um procedimento cirúrgico. Quando retornou, seu pênis sangrava, e procurando ajuda no Hospital do Exército, foi informado que infelizmente deveria ter que retirar um dos testículos, com chances de perder o outro.

A acusação é gravíssima, e não há espaço para pensar que uma agressão desse porte possa ainda acontecer nos quartéis brasileiros. Além da tortura física ele agora passa por ajuda de psicólogos e psiquiatras, e pensa que nunca mais conseguirá voar ou saltar de paraquedas.

Ele agora tenta na justiça que uma reparação seja feita. Segundo o advogado de defesa, o que o jovem sofreu foi tortura e ele deve ser indenizado por todos os danos que teve diante de agressões tão sérias. Uma sindicância já foi aberta dentro da Brigada para responsabilizar os possíveis agressores, e oito homens já foram indiciados pelo espancamento.

#Crime #Casos de polícia