Embora a orientação sexual não seja considerada um fator de risco para quem doa sangue, a prática de recusar sangue de pessoas que se declaram homossexuais ainda é bem comum no Brasil. Hospitais e centros que trabalham com o recolhimento de sangue de diversos doadores sempre perguntam quantos parceiros o doador teve nos últimos doze meses, sem fazer nenhuma distinção de gênero. Mas, não foi dessa forma que um estudante de jornalismo de 19 anos foi tratado ao ser atendido por uma médica no Hospital 9 de Julho, em São Paulo. Após descobrir que seu sangue seria descartado no lixo, Leonardo Uller resolveu contar toda a sua história.

O estudante foi vítima de preconceito no local em que ele havia procurado para doar sangue após um tio do jovem ficar internado no hospital.

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Ao responder o questionário apresentado para todos os pacientes antes de doarem o sangue, o jovem conversou com a médica Mirianceli Mendonça, e foi aí que o preconceito aconteceu claramente enquanto a mulher fazia perguntas para ele. Quando o jovem disse que havia um parceiro fixo nos últimos doze meses, a única pessoa com quem ele manteve relações e todas elas foram com a utilização de preservativos, a médica disse que Leonardo era uma exceção em meio aos gays, que são considerados para ela como um grupo de risco.

A médica ainda disse que ninguém gostaria de receber ‘sangue ruim no corpo’, completando o preconceito falando que gays ‘são gente promíscua’. A médica claramente evidenciou o preconceito que partia dela a respeito de homossexuais que doam sangue, uma realidade cruel que acontece em diversos pontos de coleta de sangue no Brasil.

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A indignação do jovem ficou maior após ele descobrir que, mesmo preenchendo todos os requisitos, seu sangue iria direto para o lixo. Leonardo ficou sabendo disso, através de uma amiga, que teria conversado com um dos diretores do hospital, e durante essa conversa, ele teria dito a ela que os pacientes não poderiam correro o risco ao receber o sangue de pessoas homosexuais.

Existe uma Portaria do Ministério Público que deixa claro que esse tipo de preconceito não pode acontecer em lugares onde a #doação de sangue acontece. Publicada em 2011, a Portaria 1353 estabelece diretrizes sobre a seleção de doadores de sangue, onde a orientação sexual não deve ser utilizada como critério, já que isso não apresenta um fator de risco considerável na hora da doação de sangue.

Esse preconceito existe desde que os homossexuais foram incluídos como um grupo de fator de risco na transmissão do HIV há dezenas de anos atrás, e parece que o preconceito ainda persiste na saúde pública brasileira. #gay #2017