Uma disputa sangrenta por terras, no estado do #Maranhão, culminou com 13 indígenas gravemente feridos, na noite do último domingo (30). Dois dos índios tiveram as mãos decepadas. As informações são da Agência Brasil e do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), organismo ligado à Igreja Católica que atua na luta pelos direitos dos povos indígenas.

"As notícias que chegavam era de uma concentração cada vez maior de fazendeiros pra nos atacar", disse um dos índios que foi ferido no ataque. De acordo com o indígena, o ato foi um verdadeiro "#massacre".

Segundo informou o Cimi, os índios das aldeias Gamela foram atacados com golpes de facão, pauladas e tiros. O ato covarde aconteceu no município de Viana (MA), contra a retomada dos indígenas no Povoado das Bahias.

Conforme informações divulgadas pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), a ação ocorreu quando os índios resolveram sair de uma área tradicional retomada. "Dezenas de pistoleiros armados com facões, armas de fogo e pedaços de madeira atacaram os Gamela no momento em que deixavam o território", informou o site do organismo pastoral, também ligado à Igreja Católica.

Com o objetivo de se proteger dos ataques, muitos habitantes do povoado saíram correndo e tentaram se esconder na mata. Para se protegerem, muitas pessoas correram e se esconderam na mata.

Ataque premeditado

A CPT classificou o massacre como algo "premeditado" e atribui a autoria a fazendeiros e pistoleiros da região que, através de um texto via WhatsApp, repassaramum texto convocando pessoas para o ataque contra os indígenas.

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"O governo do Maranhão já havia sido avisado da situação conflituosa na região e do risco de acontecer um massacre, mas, ao que consta até o momento, nem a polícia havia sido deslocada até a área para tomar as medidas cabíveis", declarou a CPT, em nota divulgada em seu site.

Ainda segundo informações do organismo, a situação na região vem sendo inflamada em função de discursos de incitação ao ódio, ao racismo e à violência sistemática contra os povos indígenas.

Os próprios membros da tribo Gamela denunciaram o envolvimento do deputado federal Aluísio Guimarães Mendes Filho (PTN-MA) no ataque. O parlamentar, que é ligado à família Sarney, teria concedido uma entrevista a uma rádio local, logo depois de o território ter sido retomado pelos índios, aos quais teria se referido de maneira racista e incitando o povo das redondezas a atos de violência.

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O comportamento do deputado foi denunciado por muitas pessoas nas redes sociais.

Polícia Federal vai investigar o caso

O Cimi informou que os índios feridos foram socorridos em um hospital em São Luís, na capital maranhense. Dois dos feridos foram alvos de tiros de raspão no rosto e já receberam alta. Os demais continuavam internados, até o fechamento dessa reportagem. O caso mais grave foi de um silvícola que teve a mão decepada, o joelho cortado e foi ferido à bala na região cervical e tem duas balas alojadas no corpo, sendo uma na costela e a outra na coluna.

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Uma equipe da Polícia Federal deverá ser enviada a Vianas, segundo informou o ministro da Justiça, Osmar Serraglio. A missão da PF será garantir a segurança na área, que é disputada por fazendeiros.

Os policiais serão deslocados para garantir a segurança da localidade. Ainda não há confirmação sobre a autoria do ataque, que ocorreu na tarde de ontem (30). A área, segundo o Cimi, é disputada por fazendeiros.

A CPT estima que existam aproximadamente 360 conflitos no campo no Maranhão. Somente no ano passado, foram registradas 196 ocorrências de violência contra povos campesinos, culminando em 13 assassinatos. #índios