Todo mundo já viu pela televisão ou mesmo presencialmente o keffiyeh, tradicional lenço usado principalmente por palestinos. Eles deixam apenas os olhos à mostra e são muito úteis em regiões muito secas, ensolaradas e com poeira.

Pois bem, alguns policiais militares do Rio de Janeiro tem preferido usar esse tecido ao invés das chamadas bataclava ou toucas ninja, por achar que os keffiyehs protegem mais da poeira e da fumaça.

Aliás, o acessório foi incorporado ao uniforme de alguns batalhões, como o Batalhão de Operações Especiais (Bope). Mas a figura dos policiais com esse lenço acabou gerando muito polêmica.

Na última quinta-feira ( 4), vários homens do Bope foram fotografados com esse figurino em plena operação na Comunidade da Fazendinha, no Complexo do Alemão.

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Segundo reportagem do Jornal Extra, o lenço ‘palestino’ já é usado desde 2015, mas em menor intensidade. Na época o Bope passou a usar uniforme camuflado, mas adequado pelo grande número de ações em áreas de mata e florestas. Como o Rio está em uma situação atípica nos últimos dias no que diz respeito à violência, o novo uniforme ficou mais evidente.

Um dos que se sentiram surpresos foi o cônsul honorário de Israel, Osias Wurman. Ele chegou a dar entrevistar criticando o uso do keffiyeh e disse que ao ver no jornal o novo modelo nos PMs achou que fosse uma foto do Oriente Médio. “Achei um absurdo. Vi nosso símbolo sendo usado não só no Alemão, como também nas manifestações. É lamentável que essa peça tão tradicional para nosso povo esteja sendo usado em situações violentas”.

O cônsul disse que esse tipo de imagem pode reforçar o que ele chama “islamofobia”.

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“Esse símbolo somente deveria ser usado de forma respeitosa, em situações relativas apenas aos palestinos. Não acho que seja razoável que usem objetos ligados a uma religião para tampar seus rostos. Eles podem fazer isso com as toucas ninja”, diz ele.

Há outras entidades que não enxergaram do mesmo modo. A Sociedade Beneficente Muçulmana do Rio de Janeiro (SBMRJ), por exemplo, não vê nenhuma ofensa no uso keffiyeh pela #Polícia, já que o lenço não é usado apenas pelos muçulmanos. Argumenta que árabes de todas as religiões lançam mão desta peça de roupa. Lembrou que o keffiyeh foi uma invenção dos povos beduínos, que andavam pelos desertos e precisavam se proteger muito bem contra o sol.

O Bope informou que o lenço foi adotado porque além de proteger a identidade do agente, não é tão quente como as toucas ninja, sendo mais adequados ao clima quente de cidades tropicais como o Rio de Janeiro.