Os números ainda são imprecisos, mas a realidade ainda choca o Brasil pela crueldade e a frequência com que notícias sobre agressões a LGBTs têm surgido por todo o país.

O Brasil é o líder no ranking mundial de assassinatos de pessoas homossexuais, bissexuais e transgêneras. Somente neste ano, o Grupo Gay da Bahia (GGB) recebeu, até o momento, 166 notificações de mortes, 10 delas apenas no mês de junho.

Segundo mapeamento feito pelo portal G1, publicado nesta terça-feira (13) muitos dos registros feitos na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) de São Paulo dizem respeito a agressões físicas e verbais sem motivação, em locais públicos, nas ruas ou ainda dentro de casa.

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No entanto, o fato de a homofobia não ser ainda considerada crime faz com que exista uma sub-notificação de casos.

Junho é o mês do Orgulho #LGBT, mas a realidade mostra que ainda há muito o que temer. Dos anos de 2009 a 2016 houve um aumento de 31% nos assassinatos de lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros no Brasil.

O mapeamento realizado em São Paulo indica ainda que há um crescimento de agressões a LGBTs na rua e em ambientes públicos - anteriormente, a maior parte dos relatos dava conta de ocorrências dentro de casa, que partiam da própria família. Essa constatação nos leva a crer que a sociedade, de forma geral, está mais propensa a manifestar suas crenças publicamente, incluindo demonstrações de ódio.

De acordo com a delegada do Decradi, Daniela Branco, com o crescimento de grupos de direita e de extrema direita no Brasil, casos de intolerância religiosa, #LGBTfobia e racismo têm se mostrado mais evidentes.

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A internet, nesse sentido, aparece como uma ferramenta que serve para disseminar discursos de ódio, revelando o quanto o brasileiro médio ainda se pauta majoritariamente por preconceitos e desinformação. Diversos sites e comunidades nas redes sociais são voltados especificamente para difundir ideias de preconceito sobre as causas LGBT. O que, conforme o alerta das entidades, pode-se conceituar como uma ação que espalha informações contrárias ao que o movimento defende.

O papel da mídia também precisa ser debatido, uma vez que a escolha de expressões e discursos equivocados que levam à formação de opiniões, pelo público, pautadas em visões negativas e preconceituosas, a exemplo de como a transgeneridade permanece sendo tratada de maneira patologizante e de como se continua a usar, com frequência, "opção sexual", termo que faz com que as pessoas enxerguem a sexualidade como mera escolha consciente. #Homofobia