No último dia 17 de maio, alunos do terceiro ano do ensino médio da Instituição Evangélica de Novo Hamburgo (IENH), localizada no estado do Rio Grande do Sul, participaram de um evento, promovido pela própria instituição, cuja repercussão foi bastante negativa. Batizada de ''Se Nada Der Certo'', a festa tinha por objetivo, segundo a IENH, promover a ''descontração'' dos estudantes, que estão sob pressão com a chegada iminente do vestibular.

Nesta ocasião, os alunos se fantasiaram de garis, domésticas, atendentes de fast-food, caixas de supermercados, entre outros profissionais que, segundo a proposta do evento, ''não deram certo'', e seriam a ''última alternativa'' àqueles que não passaram no vestibular e não tiveram a chance de cursar uma faculdade.

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As fotos da festa vieram à tona nas redes sociais na semana passada, e tanto a escola como os alunos receberam severas críticas quanto ao evento, tido como discriminatório pela maior parte dos internautas. Em nota, a IENH desculpou-se pelo que considera um mal entendido. A instituição removeu também as fotos do evento de suas redes sociais.

No ano passado, o Colégio Marista Champagnat também foi alvo de críticas após promover festa com a mesma temática.

Foi em meio a toda a polêmica envolvendo os alunos do ''Se nada der certo'' que Márcio Ruzon, filho de pai porteiro, escreveu uma resposta aos alunos do Marista e do IENH em seu Facebook.

Nele, Márcio diz que o pai dele se aposentou como porteiro e que, frequentemente, os ''pais que deram certo'' sequer o cumprimentavam.

Conta ainda que o pai trabalhou a vida toda de forma exaustiva, para ganhar o valor que os ''pais que deram certo'' pagam para estes estudantes poderem estudar em um bom colégio particular, e que aprendeu com seu pai a profissão de porteiro, cuja realidade, de ficar horas de pé e não poder ir ao banheiro quando não há alguém para substituí-lo, é muito mais dura do que muitos pensam.

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''Meu pai não deu certo'', escreve Márcio. Em seguida, continua: ''criou 3 filhos, sustentou a família mesmo com um salário bastante baixo, e mesmo não tendo um carro bom, e estando debilitado pela idade, leva e busca os netos na escola pública. Mas meu pai não deu certo. Quem deu certo foram as famílias que dependem da faxineira, do gari, do porteiro.''

Márcio ainda cutuca: ''Ainda bem que tanta gente deu errado, senão quem é que ia fazer o lanche dos filhos dos 'pais que deram certo' que não sabem ligar um fogão? Se o porteiro estiver ausente, o condomínio pára. Gente que não deu certo existe para isso: mimar os que deram certo.''

Leia o texto na íntegra:

#Brasil #Sociedade #Educação