Reviravolta. Essa é a palavra que pode exprimir, de modo fidedigno, a conclusão das investigações sobre a morte da pastora evangélica Marta Maria Kunzler, de 63 anos, na pequena cidade de Montenegro, no Rio Grande do Sul, que ocorreu em junho, mas só agora as investigações foram concluídas. O delegado que investiga o caso constatou que o crime, a princípio considerado latrocínio, teve motivação passional. Mas o que mais surpreende nessa história toda é que o marido da vítima é o principal suspeito do assassinato, juntamente com o seu amante.

A pastora Marta era uma líder religiosa muito querida na cidade. Uma das responsáveis pela Igreja do Evangelho Quadrangular no município, a mulher era muito respeitada e, por isso, o crime deixou a população montenegrense em choque.

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As investigações da Polícia Civil apontam que o marido de Marta, Adair Bento da Silva, de 38 anos, e seu amante, Rodrigo Nunes da Silva, de 24, são os mandantes do crime. Eles teriam contratado outros dois homens para matar a pastora. Os dois foram indiciados por homicídio quadruplamente qualificado.

De acordo com o delegado que investiga o caso, Eduardo Azeredo, foi constatado se tratar de um #crime passional, já que o marido da pastora e seu amante queriam se livrar da mulher para assumirem o relacionamento e adotarem a filha de Rodrigo.

"Ele (Adair) queria se separar, mas ela não aceitava. Tudo leva a crer que o marido ficaria com o amante, concluiria o processo de adoção e ainda levava a pensão da mulher e os seus bens", afirmou o delegado, em entrevista ao portal Clic RBS.

O delegado ainda declarou que esse foi o caso mais complicado de homicídio que ele já viu ao longo de toda a sua carreira como policial, com 18 anos de atividades.

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Cenário de sangue e sofrimento, mas suspeito nega

O viúvo da pastora Marta, Adair, nega qualquer envolvimento com o crime. No entanto, a polícia acredita que ele está mentindo. O delegado tem como base imagens de uma câmera de segurança de um vizinho do casal, que exibem dois homens andando e direção à casa onde o crime aconteceu, às 20h45 do dia 14 de junho.

A data, aliás, era o aniversário da pastora e os homens entraram na casa logo após ela ter saído para celebrar um culto na cidade. Ela retorna às 22h20 e, 25 minutos depois, seu carro sai da residência. Logo depois, o viúvo sai à rua e pede socorro.

Esse foi o horário em que a pastora morreu por estrangulamento, em função da aplicação de uma "gravata" e de golpes de faca no pescoço. Conforme o que foi apurado pela polícia, Adair estava na casa com a filha de seu amante, uma menina de dois anos. A criança morava na residência há cerca de um ano e a intenção era que Adair e a pastora a adotassem.

Amante do viúvo desmente versão de assalto e verdade vem à tona

De acordo com a polícia, o crime foi desvendado após o amante do viúvo da pastora desmentir a versão de assalto à residência.

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Vale ressaltar que o crime estava sendo tratado como latrocínio. Segundo Rodrigo, dois conhecidos de Adair receberiam R$ 1 mil para matarem a pastora. Os contratados, identificados como Igor de Azeredo Gomes e Juliano Jackson da Silva Gomes, já têm antecedentes criminais.

Ainda conforme o que foi apurado pela polícia, o amante do viúvo teria permanecido na garagem, enquanto a pastora foi estrangulada. Depois, ele dirigiu o veículo da pastora, levando os dois contratados embora da residência e, logo depois, abandonando o carro em uma área rural da cidade.

Durante as diligências, os policiais encontraram um moletom sujo de sangue dentro do carro abandonado. A roupa havia sido utilizada por Adair, durante uma compra que fez em uma farmácia. O casal homossexual havia criado a versão de que a mulher foi morta durante um assalto, mas, devido às contradições, a versão caiu por terra e a motivação do crime acabou sendo descoberta. #morte de pastora evangélica #Investigação Criminal