Faleceu na última quarta-feira (5) o jovem #Transgênero Nicholas Domingues, aluno do curso de Ciências Humanas da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Nicholas era natural de São José dos Campos e será enterrado nessa sexta-feira (7), às 10 horas, no Cemitério Horto São Dimas.

Militante pelas causas LGBT, ele era filiado ao PCB e lutava incansavelmente contra o preconceito e a #Transfobia que sentia na pele, inclusive dentro da universidade. Segundo amigos de Nicholas, um professor de psicologia insistia em tratá-lo no feminino, desrespeitando sua identidade de gênero.

O medo de uma possível rejeição por parte da família, que soube de sua transexualidade havia pouco tempo, foi o estopim para que o jovem tirasse a própria vida.

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Ao informar o falecimento do garoto, o pai o fez usando seu nome de batismo e termos no feminino.

O #Suicídio de Nicholas, infelizmente, não é um caso isolado: pessoas LGBT têm maior probabilidade de atentar contra a própria vida e, de acordo com pesquisa feita em 2016, 66,4% dos homens trans brasileiros dizem já ter pensado em suicídio, sendo que 41,5% dos entrevistados realizou ao menos uma tentativa.

Ainda segundo a pesquisa, 71,6% dos homens trans relataram ter sofrido algum tipo de violência transfóbica, sendo a sua maior ocorrência dentro de casa (73,9% desses casos), seguida pela escola (59,6% dos casos), por hospitais (20,5%), unidades de saúde (18,6%) e clínicas especializadas (17,4%). Isso mostra que os lugares que deveriam representar as maiores fontes de apoio para transgêneros se revelam como palcos de rejeição.

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O fato de um professor universitário não aceitar a transgeneridade está muito mais relacionado com a crença do que com a falta de informação. Ao tratar um aluno cuja identidade de gênero é masculina como mulher, ele age com violência e, sendo formado em psicologia, conforme relataram amigos de Nicholas, ele tem consciência do que faz.

A transfobia generalizada faz com que esses indivíduos enfrentem a discriminação cotidiana, e a institucionalização dessa violência simbólica transforma questões que deveriam ser facilmente resolvidas em verdadeiros empecilhos burocráticos que podem durar por anos a fio. Não se trata apenas da incompatibilidade entre a aparência do indivíduo e o que consta em seus documentos não-retificados, mas, antes, de um grande despreparo por parte de todas as pessoas para lidar com o sujeito transgênero, permitindo que suas crenças pessoais se sobreponham a seus deveres profissionais.