Diva Guimarães é uma professora aposentada de 77 anos, tímida, com a voz já enfraquecida pela idade e uma #História marcada pelo sofrimento e principalmente pela superação. Trabalhou 40 anos como professora de Educação Física até se aposentar, foi velocista e jogadora de basquete, seu esporte preferido até os dias de hoje. Seus avós eram uma escrava e um português, sua mãe era uma lavadeira que trabalhava até mesmo de graça, apenas em troca de material escolar para que a filha pudesse estudar.

Uma criança negra e pobre, em meados de 1950 dificilmente conseguiria estudar sem grandes sacrifícios por parte da família e muita discriminação por parte dos colegas e até mesmo dos professores.

Publicidade
Publicidade

Esse cenário fez com que aquela pobre criança muitas vezes quisesse desistir. Sua mãe sempre a convencia usando o mesmo argumento: "Filha, olhe pra mim. Você quer ser como eu? Quer viver a vida que eu vivo? Sofrer o que eu sofro pelo resto da sua vida?". A resposta era sempre não, e assim a criança conseguia forças para superar os obstáculos. Um passo de cada vez e com muitas quedas no caminho ela conseguiu se formar, encontrar um emprego e uma certa estabilidade.

Apaixonada por leitura, foi convencida pela família a ir ao FLIP - Festa Literária Internacional de Paraty - um festival de Literatura que ocorre uma vez por ano na cidade de Paraty, RJ. Mal poderia imaginar que seu discurso improvisado a tornaria o maior destaque do festival, ofuscando até mesmo os autores, atores, jornalistas e demais personalidades convidadas para se apresentar no evento.

Publicidade

Dona diva era só mais uma pessoa entre centenas na plateia no último dia 28, acompanhando a mesa redonda com Lázaro Ramos e a jornalista portuguesa Joana Gorjão Henriques cujo tema era racismo. Mais especificamente as consequências da colonização portuguesa no Brasil para os descendentes de escravos Quando o ator global abriu espaço para o público presente participar do debate, Diva se levantou e pediu pelo microfone. Um pouco constrangida no início, Diva contou sobre a sua história de vida e levou Lázaro Ramos às lágrimas.

Nas primeiras 24 horas, o vídeo alcançou mais de 5 milhões de pessoas e tornou a professora em uma celebridade quase que instantaneamente. No momento da publicação dessa matéria, o video já contava com 7,7 milhões de visualizações, além de mais de 200 mil compartilhamentos, 115 mil curtidas e aproximadamente 12 mil comentários.

Ainda sem acreditar que suas palavras tiveram um impacto tão grande, assustada e orgulhosa, ela confessa que se imaginasse que sua fala teria tanta repercussão não teria se levantado da cadeira devido a timidez.

Publicidade

Mas afirma que o momento foi único e libertador, naquele momento ela pôde dar voz a sua mãe, sua avó, seus antepassados que sofreram os terríveis males da escravidão.

Confira o vídeo:

Nos comentários na página do vídeo no Facebook e em textos diversos pela internet todos elogiam a garra da dona Dilma. Algumas pessoas inicialmente levantaram a possibilidade de o discurso ter sido armado pelos organizadores do FLIP, que no ano passado havia sido criticado por não convidar autores negros e ter convidado poucas mulheres. Mas a história foi desmentida após o Jornal O Globo entrevistar a mulher e confirmar que se tratava de uma história real e não de uma atriz contratada.

Com tanta repercussão, Diva agora mal consegue andar na rua, as pessoas pedem autógrafo, tiram fotos, abraçam, dividem com ela suas próprias histórias. Diva brinca que agora seu nome se tornou um verbo: "Eu divei, tu divaste, ele divou! Mas eu divei mesmo", conta ela (falando sobre os memes inspirados nela que tomaram as redes sociais) com sorriso ao mesmo tempo envergonhado e orgulhoso. #Preconceito